Reciclagem

Taxa de reciclagem de vidro em Portugal abaixo do expectável. AIVE apela a medidas urgentes

Taxa de reciclagem de vidro em Portugal abaixo do expectável. AIVE apela a medidas urgentes iStock

A Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem (AIVE) apela à implementação de medidas urgentes para que Portugal consiga atingir as metas europeias referentes à reciclagem de vidro.

De acordo com os últimos dados de 2021 do Eurostat, o setor obteve uma taxa de 55% de reciclagem de vidro. A Associação defende que, de forma a cumprir com as metas dos Estados Membros da UE, de 70% em 2025 e 75% em 2030, “é urgente começar já, para alcançar resultados significativos em 2025”.

Em comunicado, a AIVE contesta o Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagem (SIGRE) por muito pouco ter feito para cumprir as metas europeias e enaltece os esforços feitos pela indústria desde a criação do sistema nacional de recolha de embalagens usadas, em 1983.

A Associação refere ainda, em comunicado, que o balanço da recolha seletiva das embalagens em Portugal durante 2023 ficou “muito aquém do expectável”, especialmente no que toca à reciclagem do vidro, “muitas vezes apontado como o pior desempenho do SIGRE” e admite ser esta a tendência registada nos últimos 10 anos, “apesar do papel de destaque que tem sido dado ao tema da sustentabilidade”.

Para Sandra Santos, Presidente da AIVE: “quanto mais embalagens de vidro usadas forem recolhidas seletivamente, maior será a incorporação de vidro reciclado na produção de novas embalagens, uma vez que todas as embalagens de vidro colocadas no mercado poderão ser recicladas, se forem recuperadas.” E acrescenta que, para isso, “temos muito a melhorar, nomeadamente reforçar a recolha por parte dos prestadores de serviço municipais, com uma melhor adaptação à sazonalidade nas épocas de produção de resíduos mais elevadas; desenvolver soluções de recolha adaptadas ao canal Horeca e a locais de difícil acesso, mas com alta concentração de vidro; incluir mais estabelecimentos HORECA na recolha porta-a-porta e naturalmente, criar um de serviço de apoio ao cliente, ainda inexistente”.

Sandra Santos reforça ainda que “é essencial um trabalho sistemático e planeado de acompanhamento no terreno, assim como uma articulação com os sistemas de Gestão de Resíduos e os Municípios” e refere a importância de estabelecer algumas medidas adicionais, tais como:

  • Concentração de recursos (financeiros, técnicos, humanos) num plano coordenado, de preferência plurianual;
  • Alinhamento dos parceiros do SIGRE num esforço comum, com a participação ativa da indústria vidreira e embaladores;
  • Criação de uma estrutura permanente e estável.

De acordo com a AIVE, é também necessário “criar mecanismos de monitorização e acompanhamento do desempenho do sistema, reforçando uma abordagem de proximidade que apoie os utilizadores domésticos e os estabelecimentos HORECA no esforço de reciclagem, assim como de aumentar a fiscalização e aplicação de penalizações por comportamentos de não separação neste canal”.

 

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