Descarbonização

Crise climática une investigações premiadas com o Nobel da Física

Os investigadores Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi receberam o Prémio Nobel da Física deste ano pelo seu trabalho relativo à forma como o clima do planeta está a alterar-se, identificando o efeito do fator humano e prevendo o impacto do aquecimento global.

O presidente do comité do Nobel para a Física, Thors Hans Hansson , considerou que o conjunto destas investigações “demonstra que o nosso conhecimento sobre o clima é baseado em fundamentos científicos sólidos”, relata o New York Times.

O trabalho de Syukuro Manabe remonta a 1967, quando este desenvolveu um modelo computacional que confirmou a conexão crítica entre o dióxido de carbono e o aquecimento na atmosfera.

Esse modelo levou a outros que exploraram as ligações entre condições no oceano e na atmosfera, algo crucial para perceber o possível efeito do derretimento do gelo da Groenlândia nas correntes marinhas no Atlântico Norte, disse o cientista climático Michael Mann.

Cerca de uma década depois, Klaus Hasselmann criou um modelo que conectou fenómenos climáticos de curta duração, como a chuva, a fenómenos de longa duração como as correntes oceânicas e atmosféricas. Michael Mann considerou este trabalho como a base para o desenvolvimento de estudos sobre a influência das mudanças climáticas em eventos específicos como secas, ondas de calor e chuvas intensas.

Por sua vez, Giorgio Parisi é creditado pela descoberta da interação entre a desordem e as flutuações nos sistemas físicos, incluindo tudo, desde uma pequena coleção de átomos até à atmosfera de um planeta inteiro.

O investigador do Chan Zuckerberg Biohub, um centro de investigação sem fins lucrativos, David Yllanes, disse ao jornal norte-americano que “muitos fenómenos físicos importantes envolvem comportamentos coletivos que surgem de sistemas fundamentalmente desordenados e caóticos. Um sistema que parece irremediavelmente aleatório, se analisado da forma correta, pode produzir uma previsão robusta para um comportamento coletivo.”

Estas ideias podem ajudar a compreender as alterações climáticas, que “envolvem flutuações que vêm da interação de muitas, muitas partes móveis”, explicou.

O trabalho de Giorgi Parsi é considerado como tendo um maior impacto em áreas como a matemática, biologia e computação do que na ciência climática.  Após a atribuição do prémio, muitos cientistas climáticos afirmaram que só estavam marginalmente cientes do trabalho de Parsi — ou não tinham ouvido falar dele.