Descarbonização

Líderes adiam medidas de sustentabilidade ambiental durante a pandemia

Um estudo revelou que a produtividade agrícola mundial foi 21% menor do que poderia ter sido sem alterações climáticas.

Cerca de dois terços dos líderes adiaram medidas de sustentabilidade ambiental nas suas empresas durante a pandemia. Apesar da grande maioria (82%) revelar preocupação com os efeitos negativos causados pelas alterações climáticas e reconhecer que as ações de negócio precisam refletir a urgência do momento, perto de 70% referem que a pandemia obrigou à paragem de iniciativas de sustentabilidade ambiental nas suas organizações. As conclusões são do um novo estudo da Deloitte, Climate Pulse Survey 2021, que consultou 750 líderes empresariais globais em 13 países no início deste ano.

Mesmo com o desacelerar das medidas de sustentabilidade, um quarto dos executivos, principalmente nos setores de energia e consumo, confirma que as suas organizações planeiam acelerar os esforços conducentes à sustentabilidade ambiental no próximo ano.

O estudo conclui que a sustentabilidade ambiental não é apenas um pedido, mas uma exigência de um conjunto alargado de stakeholders das empresas. É, igualmente, um imperativo de negócio que se tem mostrado benéfico na retenção de talento e na melhoria do desempenho financeiro.

De acordo com o Climate Pulse Survey 2021 da Deloitte, as alterações climáticas já não representam apenas uma ameaça distante e afetam a vida diária em muitas partes do mundo com as empresas a começar a sentir os seus efeitos. Mais de 30% dos executivos consultados afirmam que as suas organizações já sentem impactos operacionais dos desastres relacionados com o clima e mais de um quarto está a enfrentar escassez de recursos devido às alterações climáticas. Os impactos operacionais dos eventos climáticos estão a afetar, neste momento, mais de 1 em cada 4 organizações em todos o mundo.

A pesquisa conclui também que cerca de 81% dos líderes empresariais acreditam que as empresas deveriam fazer mais pela preservação do meio ambiente e 72% querem, inclusivamente, que os respetivos governos assumam um maior papel no controlo da crise climática.

Segundo o Climate Pulse Survey 2021, os executivos estão preocupados, mas otimistas, com o potencial de mitigação dos piores efeitos das alterações climáticas e veem a educação, o suporte a iniciativas de políticas públicas e a colaboração na procura de soluções holísticas como aspetos fundamentais no caminho da sustentabilidade ambiental.

As organizações líderes estão a passar da consciencialização para a adoção de ações concretas como parte dos seus esforços no sentido da sustentabilidade ambiental, com destaque na adoção de posições públicas que promovam a sustentabilidade e em ações que reduzam o seu impacto ambiental, encorajando ou exigindo determinados padrões ambientais por parte de fornecedores e parceiros e na crescente utilização sustentável de materiais.

Cerca de metade dos entrevistados indicaram que viram iniciativas de sustentabilidade ambiental impactar positivamente um conjunto alargado de stakeholders, incluindo na satisfação e expetativas de clientes, retenção e atratividade de talento, reputação e, incluindo, ao nível das métricas financeiras das suas empresas. Além disso, quase metade dos executivos também reconhece impactos mensuráveis no meio ambiente, tais como a redução das emissões de carbono. As organizações estão a aumentar as suas ações, incluindo o incentivo ao teletrabalho (38%) e a compra direta de energia renovável (36%).