Energias Renováveis

Micróbios são treinados para produzir combustível neutro em carbono

Um grupo de biólogos e engenheiros da Universidade Washington em St. Louis descobriu uma nova maneira para treinar micróbios para que estes produzam biocombustível. O micróbio Rhodopseudomonas palustris TIE-1 (TIE-1) foi modicado para produzir biocombustível utilizando apenas três fontes renováveis e abundantes naturalmente: dióxido de carbono, eletricidade gerada por painel solar e luz.

O biocombustível resultante, n-butanol, “é uma alternativa de combustível neutro em carbono que pode ser usada em misturas com gasóleo ou gasolina”, informa a universidade, em comunicado.

“Os microrganismos desenvolveram uma variedade de técnicas desconcertantes para obter nutrientes dos seus ambientes circundantes”, disse o investigador principal Arpita Bose. “Talvez uma das mais fascinantes destas técnicas de alimentação utiliza a eletrossíntese microbiana (MES). Aqui aproveitámos o poder dos micróbios para converter dióxido de carbono em compostos multi-carbono de valor acrescentado num biocombustível utilizável”, explicou.

Já o primeiro autor do estudo, Wei Ba, disse que o “n-butanol tem um alto teor energético e baixa tendência para vaporizar ou dissolver em água sem combustão”. “Isto é especialmente verdade quando comparado com o etanol, que é um biocombustível comumente usado.”

Metodologia

Outros investigadores já exploraram o uso de micróbios como as cianobactérias para produzir biocombustíveis sustentáveis. No entanto, estes tipos de organismos produzem oxigénio durante a fotossíntese, o que tende a limitar a sua eficiência para sintetizar biocombustíveis.

Para explorar como o TIE-1 poderia ser explorado para produzir biocombustível, os cientistas construíram uma forma mutante do micróbio que não conseguia fixar azoto.

O micróbio que construíram não foi capaz de crescer quando o gás nitrogénio era a sua única fonte de azoto. Assim, em vez disso, esta versão do TIE-1 canalizava o seu esforço para produzir n-butanol — aumentando o seu rendimento de biocombustível sem aumentar significativamente o consumo de eletricidade.

“Pelo que sabemos, este estudo representa a primeira tentativa de produção de biocombustíveis utilizando uma plataforma de eletrossíntese microbiana alimentada por painéis solares, onde o dióxido de carbono é diretamente convertido em combustível líquido”, disse Wei Bai. “Esperamos que possa ser um passo para a futura produção sustentável de combustível solar”, considerou.

O estudo foi publicado na revista Communications Biology.