Descarbonização

Recursos planetários para este ano já foram “esgotados”

A organização não-governamental (ONG) norte-americana Global Footprint Network revelou que a humanidade, desde a passada quinta-feira, 29 de julho, está a viver a crédito ao nível dos recursos planetários, avança o Público. Este ano seriam necessárias “1,7 Terras” para satisfazer as necessidades da população mundial, revela ainda a organização.

O anúncio ocorre quando faltam mais de cinco meses para o final do ano.  Segundo a Global Footprint Network, este ano existiu uma subida da pegada do carbono, em 6,6%, assim como uma maior perda da biocapacidade florestal mundial, em 0,5%, “devido em grande parte ao pico de desflorestação na Amazónia”.

A pegada de carbono associada aos transportes permanece inferior aos níveis anteriores à pandemia. No entanto, a relacionada com a energia deve subir claramente. “Estes dados mostram claramente que os planos de relançamento da era pós-pandemia só podem ter sucesso a longo prazo se se apoiarem na regeneração e gestão racional dos recursos ecológicos”, declarou a presidente executiva da Global Footprint Network, Laurel Hanscom, citada no comunicado.

A data é calculada através do cruzamento da pegada ecológica das atividades humanas (as superfícies terrestre e marítima necessárias para produzir os recursos consumidos e para absorver os resíduos da população) e a “biocapacidade” da Terra (capacidade dos ecossistemas de se regenerarem e absorverem os resíduos produzidos pelos humanos, como a sequestração do dióxido de carbono). A “sobrecarga” dos recursos planetários ocorre quando a pressão humana excede a capacidade de regeneração dos ecossistemas naturais.

Desde há 50 anos que, segundo a Global Footprint Network, a situação tem-se complicado: 29 de dezembro em 1970, 4 de novembro em 1980, 11 de outubro em 1990, 23 de setembro em 2000 e 7 de agosto em 2010. Em 2020, a data tinha sido adiada em três semanas, sob o efeito dos confinamentos.