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Estudo: EUA, Brasil e China são os principais fornecedores de resíduos plásticos

Um estudo [1] dos padrões globais de resíduos [2] de embalagens plásticos promovido por uma equipa internacional de investigadores revelou que três países (Estados Unidos da América, Brasil e China) são os principais fornecedores de resíduos plásticos.

“Queríamos seguir os resíduos de embalagens de plástico incorporados na cadeia global de fornecimento. Este trabalho permite-nos concluir que o problema é uma responsabilidade partilhada entre agentes económicos, desde os produtores e seus intermediários até às lojas de retalho e aos consumidores”, refere o coautor do estudo, Sandy Dall’erba, diretor do Center for Climate, Regional, Environmental and Trade Economics (CREATE) [3] da Universidade de Illinois, citada em comunicado [4].

Os investigadores descobriram que a América do Norte e do Sul juntas geram 41% da produção mundial de resíduos de embalagens de plástico, principalmente dos EUA (19% da produção mundial) e do Brasil (13%). A Europa segue com 24%, e a Ásia segue com 21%, a maioria das quais é gerada na China (12%).

Na perspetiva dos consumidores, a América do Norte e do Sul são novamente responsáveis pela maior parte do desperdício. Em conjunto, as Américas representam 36% do consumo mundial de embalagens de plástico, seguidas pela Ásia com 26% e pela Europa com 23%.

“Alimentos ricos em proteínas como carne, peixe e laticínios são uma trademark nas Américas e estes geram muitos resíduos de embalagens de plástico”, explica Sandy Dall’erba. “Por exemplo, por cada quilo de peixe consumido levará a uma média de cerca de 1,6 quilos de resíduos. Isto inclui sacos de plástico, bandejas e celofane usados para embrulhar e cobrir o peixe durante o transporte, armazenamento e venda.”

As exportações internacionais agravam ainda mais o problema, representando cerca de 25% dos resíduos globais de embalagens de plástico.

O que pode ser feito

“O plástico não é fácil de substituir. Não há outro material que proteja a frescura de um produto alimentar que será enviado por todo o mundo”, afirma o investigador. “Precisamos de desenvolver ainda mais tecnologias que tornem os plásticos mais biodegradáveis, como produtos à base de algas. Mas também precisamos de regulamentos mais rigorosos para desencorajar a produção e utilização de embalagens de plástico”, nota.

Os investigadores concluem que os produtores e os consumidores devem partilhar a responsabilidade e os custos. “Todos os agentes da cadeia de abastecimento e consumidores finais precisam de incentivos para reduzir o uso de plástico. Alguns exemplos são os impostos sobre a gestão de resíduos ou reembolsos para a devolução de garrafas de plástico”, explica o principal autor do artigo, Xiang Gao, investigador da Academy of Mathematics and Systems Science, Chinese Academy of Sciences (CAS) em Pequim, China.

Os fluxos de transações de resíduos de embalagens de plástico foram medidos com base numa base de dados global e multi-regional de produção chamada EXIOBASE, combinada com dados do Banco Mundial.