Economia Circular

A revolução nos tecidos – Como a moda quer tornar-se sustentável

Com a indústria da moda cada vez mais desafiada a seguir a tendência sustentável, são muitas as opções estudadas para diminuir a pegada de carbono e reduzir o desperdício. Uma das áreas em que a inovação sustentável tem cada vez mais trilhado caminho tem sido nos tecidos. Atualmente, desdobram-se exemplos de alternativas ao couro com base em folhas de ananás, cogumelos, uvas, entre outros.

A Lux Research prevê que as vendas anuais de alternativas ao couro com baixa complexidade, incluindo, por isso, materiais derivados de frutas e vegetais e couro de material reciclado, vão atingir, provavelmente, mil milhões de dólares até 2025.

Folhas de ananás

Desde 2016, que a empresa Ananas Anam, através da utilização de resíduos das colheitas de ananás, criou um novo tipo de couro, o Piñatex. O produto tem sido utilizado por marcas como a Chanel, a Hugo Boss, a H&M e a Nike, avança o portal Barrons. A CEO da empresa, Melanie Broyé-Engelkes, em entrevista ao Vegconomist, explica que “por cada tonelada de ananás colhido, três toneladas de folhas de ananás são desperdiçadas”, sendo que as fibras dessas folhas são purificadas, secas e processadas, sendo depois criada uma malha não tecida que forma a base do têxtil.

“A curto prazo, o nosso foco é aumentar a nossa produção dez vezes nos próximos 24 meses, reduzindo os tempos de produção em 50% e oferecendo preços mais competitivos para encomendas de grande dimensão de forma a tornar-se na solução têxtil sustentável mainstream em escala”, antecipou ainda a responsável.

Cogumelos

Os cogumelos, nomeadamente o micélio (a parte vegetativa do fungo), estão a ser utilizados pela start-up Bolt Threads como base para um novo tipo de couro. O produto já foi utilizado pela Adidas e pela Lululemon.

Uma outra companhia, a MycoWorks, está a utilizar o mesmo material como base para o seu tecido. A empresa anunciou recentemente que quer escalar a produção do seu couro e tem entre os seus investidores celebridades como Natalie Portman e John Legend, revela o portal TechCrunch.

Micélio

Rosas

Como alternativa à seda tradicional, os resíduos de pétalas de rosa têm sido uma opção para fabricar seda. A BITE Studios, cofundada por um coletivo baseado em Estocolmo e Londres, é uma das marcas que está a utilizar este tipo de tecido nos seus vestidos.

Borras de café

As borras de café são um dos materiais que mais marcas têm adotado, desde a finlandesa Rens Originals (que comercializa ténis à base de garrafas de plástico recicladas e borras de café), a norte-americana Keen, que utiliza as borras para o fabrico das solas e pés dos sapatos) e a taiwanesa Sigtex (que as utiliza para fabricar fios para equipamento desportivos).

Uvas

A empresa Vegea está a utilizar os subprodutos do processo de vinificação como parte da sua solução para o couro. O material, que tem sido utilizado por empresas como a H&M, é composto também por óleos vegetais e fibras naturais da agricultura.

Algas

Coletes à prova de água e corantes para tintura são algumas das soluções para as quais as algas já foram utilizadas. Por exemplo, a designer  Charlotte McCurdy criou um vestido de com lantejoulas de algas, através da exposição da alga ao calor e ter colocado a solução resultante em moldes de vidro para solidificar, nota a revista Anothermag.

O pé atrás

Apesar destes tipos de materiais não necessitarem de animais, cada vez mais a discussão centra-se se são realmente melhores para o planeta.

A revista Surface  nota que um relatório da holding francesa especializada em artigos de luxo Kering aponta que o impacto ambiental da produção de couro vegan pode ser um terço menor que a do couro baseado em animais. No entanto, surgem inconvenientes quando as alternativas são feitas a partir de polímeros plásticos como o poliuretano e o cloreto de polivinilo, baseados em petróleo. A ativista ambiental e autora do livro Wallet Activism, Tanja Hester, nota que, quando isso acontece, é um exemplo de greenwashing. Outra questão é ao nível do biodegradável.  Atualmente, por exemplo, o Piñatex não é biodegradável devido à utilização de um revestimento de poliuretano à base de água. revestimento de poliuretano à base de água. A empresa está a trabalhar nesse âmbito, com o lançamento de uma resina de base biológica que vai reduzir para metade a quantidade de poliuretano, o que vai fazer com o produto seja 95% natural, nota o portal Portugal Textil.