Descarbonização

Empresas nos países do G7 estão a falhar objetivos do acordo de Paris

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Os objetivos climáticos adotados pelas empresas nos países do G7 (os Estados Unidos da América, o Japão, a Alemanha, a França, o Reino Unido, a Itália e o Canadá, com a União Europeia também representada) mostram que o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius é “atualmente irrealizável”. A conclusão é da organização Carbon Disclosure Project (CDP), noticia o portal Euractiv.

De acordo com as estimativas, se todos os atuais compromissos climáticos das maiores empresas nos países do G7 fossem refletidos globalmente, o aquecimento seria de 2,7 graus Celsius.

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“As empresas de alto impacto, e os seus investidores e credores, devem definir e honrar imediatamente metas com planos de transição credíveis que nos permitam cumprir esse objetivo”, declarou a Global Director for capital markets na CDP, Laurent Babikian.

A análise mostrou que as empresas do Canadá e do Japão foram as piores no rating, com um ritmo de descarbonização que levaria ao aquecimento de 3,1 e 2,9 graus Celsius, respetivamente. As empresas norte-americanas levariam a 2,8 graus Celsius de aquecimento.

Em comparação, as empresas europeias saíram-se melhor. As empresas alemãs e italianas foram associadas a um aquecimento de 2,2 graus Celsius, seguidas pela França (2,3 graus Celsius) e pelo Reino Unido (2,6 graus Celsius). Portugal também alcança os 2,6 graus Celsius.

No entanto, alguns países da UE estão atrasados. Por exemplo, as empresas da Bélgica, do Luxemburgo e da Áustria estão todas associadas a um aquecimento de 3,0 graus Celsius. A Grécia, por sua vez, está no fundo do ranking europeu, com uma classificação de temperatura de 3,1 graus Celsius.

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De acordo com o estudo, as empresas com melhor desempenho são as que se inscreveram na Science-Based Targets Initiative (SBTi), um programa de ação climática corporativa liderado pela CDP e apoiado pela United Nations Global Compact, o World Resources Institute e a WWF.

Embora mais de 90% das empresas em França e na Alemanha tenham adotado esses objetivos, a CDP disse que muitas nos EUA e no Canadá não têm qualquer objetivo. No Canadá, por exemplo, apenas 43% de todas as emissões reportadas são abrangidas por um objetivo verificável.

“Não é aceitável que nenhum país, muito menos as economias mais avançadas do mundo, tenha indústrias com tão pouca ambição coletiva”, disse James Davis, Partner no Financial Services da Oliver Wyman, uma empresa de consultoria de gestão que participou no estudo.

De acordo com a análise, cerca de 42% das empresas de energia da UE estão alinhadas com a meta de 1,5C do Acordo de Paris. Em comparação, “esta estatística globalmente é inferior a 10%”, acrescentou.

O estudo foi realizado entre uma amostra representativa de quatro mil grandes empresas de vários sectores, incluindo a produção de eletricidade e a indústria pesada.