Descarbonização

Estudo: Sequestro de carbono feito pelo solo pode estar sobrestimado

Estudo: Sequestro de carbono feito por solos pode estar sobrestimado

Uma investigação revelou que o potencial de armazenamento de um dos maiores sequestradores de carbono do planeta – os solos – pode ter sido sobrestimado. Isso pode significar que os ecossistemas em terra absorvem menos emissões de CO2 do que o esperado, levando a um aquecimento global mais rápido, avança o The Guardian.

“Descobrimos que quando existe um aumento do CO2: aumenta o crescimento das plantas, mas há uma diminuição do armazenamento de carbono do solo. É uma conclusão muito importante”, disse o investigador César Terrer, que liderou a investigação enquanto esteve na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos da América. Em declarações ao jornal britânico, ele revelou que se os solos absorverem menos no futuro, “a velocidade do aquecimento global poderia ser maior”.

Resultados em detalhe

O estudo, publicado na revista Nature, analisou mais de 100 experiências em todo o mundo nas quais os solos, as plantas e as árvores foram expostos a níveis de CO2 mais elevados do que na atmosfera atual. O crescimento da biomassa nas florestas aumentou 23% em experiências em que o nível de CO2 utilizado era o dobro dos níveis atmosféricos pré-industriais. Está 50% mais alto hoje. Mas os solos florestais não armazenavam mais carbono orgânico.

Pensava-se que a biomassa e o carbono do solo aumentariam em conjunto, à medida que mais biomassa vegetal caia no solo e se transformava em matéria orgânica. Mas o aumento do crescimento das plantas e das árvores requer mais nutrientes do solo, o que pode explicar a nova descoberta, segundo os cientistas. A extração de nutrientes extra requer que as plantas aumentem a atividade microbiana simbiótica nas suas raízes, o que liberta CO2 para a atmosfera que, de outra forma, poderia ter permanecido no solo.

Os investigadores descobriram que nas pradarias, o CO2 elevado levou a um crescimento de 9% das plantas – menos do que nas florestas – mas o carbono do solo aumentou 8%.

O investigador norte-americano César Terrer disse que tem havido muita discussão sobre a plantação de árvores como forma de enfrentar a crise climática. “O que achei muito preocupante nesse debate é que as pessoas estavam a sugerir plantar árvores em pastagens naturais, savanas e tundras”, disse. “Penso que seria um erro terrível porque, como os nossos resultados indicam, há um potencial muito grande para aumentar o armazenamento de carbono do solo nas pradarias”, explicou.