Descarbonização

Indicadores de qualidade do ar da OMS tornam-se mais restritos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) restringiu ainda mais os indicadores de qualidade do ar para os principais contaminantes atmosféricos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) restringiu ainda mais os indicadores de qualidade do ar para os principais contaminantes atmosféricos, sendo a primeira alteração em mais de 15 anos. A mudança surge para colocar mais pressão nos governos mundiais contra um problema que causa cerca de sete milhões de mortes prematuras e graves problemas de saúde todos os anos, avança o jornal El País.

Os novos limites de exposição segura foram estabelecidos para as partículas em suspensão PM10 e PM2.5, para o ozono (O3), o dióxido de azoto (NO2), o dióxido de enxofre (SO2) e o monóxido de carbono (CO).

A maior redução ocorre no NO2, no qual o limite anual passou de 40 microgramas por metro cúbico para apenas 10. O poluente gera problemas no sistema respiratório e está ligado, nas cidades, aos veículos a gasóleo e a gasolina.

No caso das PM2.5, o limite passou para metade (de dez microgramas por metro cúbico para cinco). Estas partículas são capazes de entrar nos pulmões e poder causar doenças cardiovasculares e respiratórias. Já as maiores, as PM10, tiveram o limite anual reduzido de 20 para 15 microgramas por metro cúbico.

Quanto ao ozono, a exposição máxima para um período de oito horas ficou ao mesmo nível estabelecido pelas diretrizes de 2005. Para o CO foi definido um limite para a exposição em 24 horas de quatro miligramas por metro cúbico. Já no caso do SO2 o limite foi ampliado de 20 microgramas por 40 microgramas num período de 24 horas.

Para desenhar as novas orientações, a OMS explica que se baseou “nas abundantes evidências científicas atualmente disponíveis” sobre os efeitos dos poluentes na saúde humana.

Estes limiares de segurança não têm vínculo legal, sendo que cada país decide os limites a estabelecer. Tal também é demonstrado por mais de 90% da população mundial ter vivido em 2019 “em áreas onde os níveis de concentração ultrapassaram os indicados nas orientações de qualidade do ar da OMS de 2005 para exposições prolongadas à PM2.5”, refere ainda a Organização.

Comentários aos novos limites

“Os novos limites significam que temos de multiplicar o nível de ambição para reduzir a poluição”, considerou a diretora do Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, María Neira.

Já o especialista em qualidade do ar e mobilidade da organização ambientalista espanhola Ecologistas en Acción, Miguel Ángel Ceballos, avança que a União Europeia planeia rever a diretiva que estabelece limiares máximos de exposição aos principais poluentes e as novas orientações da OMS serão tomadas como uma referência para definir os objetivos para o final desta década.

A OMS admite que nos países desenvolvidos, “a qualidade do ar tem vindo a melhorar gradualmente”, o que não implica que certos poluentes, como as partículas finas, continuem a exceder os limiares de segurança. Já na maioria dos países de baixo e médio rendimento “a qualidade do ar deteriorou-se devido à urbanização em larga escala e ao desenvolvimento económico que se baseou, em grande medida, na combustão ineficiente de combustíveis fósseis, como o carvão, além da indústria e do uso ineficiente de combustíveis residenciais”.