Reciclagem

Zero alerta que apenas 16,1% dos resíduos urbanos foram reciclados em 2020

Zero alerta que apenas 16,1% dos resíduos urbanos foram reciclados em 2020

No âmbito do Dia Internacional da Reciclagem (17 de maio), a ONG Zero apresentou o seu Barómetro da Reciclagem, iniciativa que consiste numa avaliação do desempenho de Portugal quanto aos níveis de reciclagem atingidos para diversos fluxos de resíduos.

Em comunicado, a ONG revela que, em 2020, Portugal continental registou uma taxa de reciclagem de resíduos urbanos de 16,1% (8,9% com origem na recolha multimaterial (plástico, papel, vidro e metais) e 7,2% com origem na reciclagem de resíduos orgânicos (compostagem/digestão anaeróbia).

Face a 2019, existiu uma redução de 4,9%, o que deixa Portugal ainda mais afastado da meta comunitária prevista para 2025 que é de 55%.

“Estes números contrariam o discurso oficial de que em ano de pandemia teria havido uma adesão generalizada às práticas de encaminhamento de recicláveis. Poder-se-ia alegar que a curta paragem no tratamento mecânico e biológico poderia estar na origem da redução, mas a compostagem/digestão anaeróbia apenas registaram um decréscimo de 1,2%, contra 4,2% na reciclagem multimaterial, o que no caso concreto representa um verdadeiro tombo”, denuncia a Zero.

De acordo com a ONG, entre as causas para a queda estão a continuação da aposta na recolha seletiva através de ecopontos, o fraco tratamento dos biorresíduos (resíduos orgânicos), a quase inexistência de recolha seletiva de biorresíduos, o subfinanciamento da recolha, a subdeclaração fraudulenta das embalagens colocadas no mercado, entre outras.

Outros resíduos

A situação registada nos outros resíduos foi:

  • Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE) – 15% recolhidos, quando as suas licenças emitidas pelo Estado as obrigavam a recolher 65%;
  • Embalagens de pesticidadas – apenas 48,4% dos resíduos de embalagens de pesticidas, quando a meta da entidade gestora era de 55%;
  • Pilhas e acumuladores portáteis – recolha de apenas 29%, quando a meta para esse ano era de 45%;

No entender da ZERO, “as baixas taxas de recolha de embalagens, REEE, embalagens de pesticidas e de pilhas não deixam margem para dúvidas que é fundamental a aplicação de sistemas de depósito/retorno a estes fluxos de resíduos, tal como foi aprovado pela Assembleia da República para as embalagens em plástico, metal e vidro para as bebidas”.