Mercados

México: segundo mercado latino-americano

México mercados Logística e Transportes Hoje

O México é um imenso mercado cada vez com maior interesse para as empresas portuguesas. Trata-se de um país de economia aberta com acordos de livre comércio celebrados com cerca de 50 países que apresenta um enorme potencial de crescimento e representa, há vários anos, o segundo mercado latino-americano de Portugal, logo depois do Brasil.

O mercado mexicano desperta cada vez mais o interesse das empresas exportadoras portuguesas. O número tem vindo a crescer de ano para ano e em 2015 eram mais de 600. É também crescente o número de empresas portuguesas que procuram este mercado latino-americano em termos de investimento direto estrangeiro. Nos últimos anos têm sido as empresas do setor tecnológico as que mais têm procurado investir no mercado mexicano.

“A modernização da economia que se está a verificar no México, com a implementação dum conjunto de Reformas Estruturais, podem vir a despertar o interesse cada vez maior das empresas portuguesas”, considera Maria de Fátima Pereira Henriques, Secretária-Geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana (CCILM).

Por outro lado, o acordo NAFTA que o México possui com os EUA e o Canadá potencia o interesse das empresas portuguesas pelo mercado mexicano, como plataforma de apoio para atingir estes dois mercados norte-americanos. O mesmo acontece com o Acordo do Pacífico, que engloba o México, Peru, Colômbia e Chile.

O trabalho desenvolvido nos últimos anos a nível político-governamental e diplomático, bem como por parte de empresas do setor privado, permitiu uma aproximação de Portugal ao consumidor mexicano, ao nível de perceção de valor/marca e imagem de Portugal. “Antes existia um total desconhecimento do nosso país, dos seus produtos e serviços”, diz Catarina Pacheco, Country Manager da Vista Alegre, empresa presente no mercado mexicano há cinco anos. “Este esforço permitiu um aumento das trocas comerciais e o México é hoje mais recetivo do que era há uma década atrás, tornando este movimento da intensificação das relações entre os países de obrigatória continuação”.

Falta agora, considera a CCILM, fazer um esforço no sentido inverso, procurando que empresas mexicanas venham a investir em Portugal. “Reconhecemos que é ainda reduzido o número de empresa mexicanas a operar no mercado português, apesar de nos últimos tempos os empresários mexicanos terem mostrado um interesse crescente pelo nosso mercado, com intenções de investimento já manifestadas no setor da saúde e dos transportes”.

Construção em destaque

A construção, obras públicas e infraestruturas tem sido o setor de atividade que maior implementação, em dimensão, tem tido no México. “Desde que o Grupo Mota Engil decidiu abordar o mercado mexicano que tem vindo a aumentar progressivamente o seu nível de atividade no México. Segundo o Grupo, este é já o seu maior mercado internacional, face aos problemas que afetaram ultimamente as economias angolana e brasileira”, avança Maria de Fátima Henriques.

Outros setores que têm despertado o interesse das empresas portuguesas no México são os moldes para plástico, sobretudo para o setor automóvel, e o setor dos eletrodomésticos, onde as principais empresas portuguesas já estão instaladas, algumas com unidades industriais. O setor das tecnologias de educação também tem tido uma posição muito importante no mercado mexicano. “A empresa J.P. Sá Couto tem obtido um êxito assinalável com o fornecimento de equipamento informático para as escolas mexicanas”, refere a responsável da CCILM.

Mais recentemente, e através de ações da CCILM, empresas dos setores tecnológicos têm vindo a entrar no mercado mexicano, algumas já com investimentos efetuados. A CCILM destaca ainda as possibilidades que as empresas dos setores de energias renováveis e do ambiente têm no mercado mexicano, onde a EDP Renováveis e a Martifer Solar têm já contratos estabelecidos. Também os setores da moda, agroalimentar e habitat têm boas oportunidades de penetração no mercado mexicano.

Projeto de internacionalização

A CCILM iniciou em 2013 um projeto conjunto de internacionalização para o mercado mexicano no setor das Tecnologias de Informação, no montante de cerca de 400 mil euros, ao qual aderiram mais de uma dezena de pequenas e médias empresas que pretendem entrar ou consolidar a sua presença no mercado mexicano.

O projeto, inserido no âmbito do QREN, beneficiou de um incentivo total atribuído às empresas participantes da ordem de 200 mil euros e envolveu a participação em três feiras tecnológicas e uma Missão Empresarial. Propiciou a associação de pequenas e médias empresas portuguesas que isoladamente não teriam capacidade de entrar neste mercado.

Para consolidar o Projeto QREN e a presença das empresas participantes no mercado mexicano, a CCILM desenvolveu, a partir do início de 2016, um novo projeto enquadrado no âmbito do Portugal 2020, no montante de cerca de 650 mil euros. O projeto deverá estar concretizado até final deste ano. Até agora foram realizadas duas Missões Empresariais e a participação numa Feira de Tecnologias de Educação e está prevista a participação, em setembro, numa feira dedicada aos setores aeronáutico e aeroespacial e, em dezembro, noutra feira dedicada ao setor automóvel.

“O objetivo para 2017 é continuar a desenvolver este tipo de projetos aproveitando os fundos disponíveis do Portugal 2020 e procurando trazer empresários mexicanos a Portugal, de modo a que possam conhecer melhor o mercado do nosso país e assim contribuirmos para aumentar o investimento direto mexicano em Portugal, que até agora tem tido expressão reduzida”, conclui Maria de Fátima Henriques.

Transporte Portugal – México

O transporte marítimo a partir dos portos de Lisboa, Leixões e Sines pode ser efetuado para a costa atlântica do México (portos de Veracruz e Altamira) ou para a costa do Pacífico, normalmente para o porto de Manzanillo. O tempo de transporte é variável conforme o volume de carga contentorizada e o transitário escolhido. Para a costa atlântica pode oscilar entre duas e quatro semanas, devendo contar-se com mais uma semana para a costa do Pacífico.

Haverá ainda que contar com o tempo habitual de desalfandegamento, de cerca de dois dias, e do transporte por camião para a localidade de destino, variando com a distância, e que pode ser de um a três dias.

O transporte aéreo de carga entre os aeroportos de Lisboa ou Porto para a Cidade do México tem um tempo de trânsito de dois a três dias sendo a Ibéria, a Lufthansa e a Continental os principais operadores de carga aérea.

Ainda não existe ligação aérea direta e regular de passageiros entre o México e Portugal, apesar de estar prometida e ter sido objeto de diálogo e acordo entre os dois governos durante a visita do então Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, ao México, no final de 2013, e na visita a Portugal do Presidente Mexicano, Enrique Peña Nieto, em junho de 2014.

Para Fernando Lima, CEO da Transitex, a oferta de transporte marítimo para o México existente em Portugal é excelente. “A relação qualidade/preço é a melhor de sempre, na ótica do exportador, fruto da descida global dos preços de transporte”. No transporte aéreo existe uma oferta razoável mas as empresas que concorrem com empresas espanholas enfrentam uma enorme desvantagem, visto que Madrid tem ligações diretas e mais do que uma companhia, criando diferenças, por vezes significativas, no preço e qualidade do serviço oferecido.

Para a Vista Alegre México a oferta de transporte é “bastante razoável”, segundo Catarina Pacheco. O transporte aéreo é mais caro mas bastante rápido e mais seguro e “compensa largamente para cargas pequenas e prementes”. A responsável da Vista Alegre exemplifica com uma carga que demorou apenas 6 dias desde a saída no centro de Portugal até ao armazém da empresa na Cidade do México.

mexico df city town aerial view from airplane central america

Quanto ao transporte marítimo, Catarina Pacheco mostra-se menos satisfeita: “Quase todas as cargas saídas de Portugal para o México seguem através de Espanha, normalmente Valência ou Barcelona, o que torna todo o processo mais caro e demorado. Como a Cidade do México, capital e maior centro do consumo, é no interior do país, é preciso contar com um longo, demorado e nem sempre seguro percurso por terra desde o porto de entrada até ao armazém”.

No caso dos produtos Vista Alegre, que pela sua natureza implicam um peso e volume consideráveis e um acondicionamento cuidado, o processo logístico torna-se mais dispendioso. “O custo do transporte e logística continua a pesar bastante no valor do produto final ao cliente, devido não apenas ao custo do transporte em si, mas também a uma elevada carga fiscal no México”.

 Prós & Contras

 Oportunidades

  • A dimensão do mercado: mais de 120 milhões de consumidores na 13º maior economia mundial e 11º com maior poder de compra.
  • Crescente poder de compra de uma classe média em ascensão e apetência generalizada para o consumo.
  • Mercado dos mais abertos do mundo, muito competitivo e visitado por empresários de todos os países.
  • Reformas feitas nos últimos anos e políticas macroeconómicas estáveis mantêm o país afastado das convulsões que afetam outras economias desta região.
  • Recetividade do povo mexicano a novos serviços e produtos e enorme atração por produtos oriundos da Europa, percebidos como de qualidade superior.
  • Grande oportunidade para todas as marcas/produtos do segmento de luxo: é dos países do mundo com maior índice de consumo de produtos deste segmento.

Dificuldades, riscos e ameaças

  • A distância e os custos das deslocações e dos transportes.
  • Necessidade de fazer visitas sistemáticas ao mercado, o que pode encarecer o processo de entrada.
  • Complexidade do mercado obriga a uma análise cuidada a nível comercial, cultural ou social.
  • Parafernália burocrática dificulta todo o processo de legalização, constituição de empresa, sistema bancário, fiscal e alfandegário, não obstante os esforços desenvolvidos a nível de informatização e concentração dos processos.
  • Elevada carga fiscal.

Conselhos para ser bem-sucedido

 

  • Estude o mercado: o conhecimento é fundamental e ajuda a desmistificar um conjunto de preconceitos que existem em relação ao México.
  • Faça a primeira abordagem ao mercado através do escritório da AICEP, da Embaixada de Portugal no México ou da CCILM, pois o conhecimento do mercado destes atores facilita o networking.
  • Seja persistente e prepare-se para a possibilidade de o negócio demorar mais tempo a concretizar-se que o normalmente admissível. É normal haver algumas desilusões nas primeiras incursões mas normalmente quem não desiste às primeiras dificuldades é compensado.
  • Procure criar uma relação de confiança com o seu parceiro mexicano. Só é possível ganhar o mercado e mantê-lo através de relações de confiança, que chegam a tornar-se, muitas vezes, quase relações sociais.
  • Se quer operar no México prepare-se para permanecer efetivamente no país. Só com uma presença constante e continuada é possível estabelecer relações fortes com clientes, não descurando nenhuma das partes envolvidas no negócio.
  • Não se limite à Cidade do México. Existem outros centros importantes no país, dada a descentralização da atividade económica pelos 32 Estados do México.
  • Conheça as dinâmicas no que respeita às questões de logística e transporte e eleja um parceiro com conhecimento das características dos processos. Evitará assim alguns dissabores na abordagem ao mercado.

Artigo publicado na edição de julho/agosto de 2016 da revista LOGÍSTICA & TRANSPORTES HOJE

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