Energias Renováveis

Califórnia é a segunda região do mundo que mais aposta em baterias gigantes para gerar eletricidade

Califórnia é a segunda região do mundo que mais aposta em baterias gigantes para gerar eletricidade Direitos Reservados - The New York Times

A Califórnia é o estado americano e a segunda região do mundo que mais aposta na luz solar para gerar eletricidade através de baterias gigantes, de acordo com o artigo divulgado no The New York Times.

Para preencher a lacuna da falta de luz solar durante a noite, as empresas de energia tendem a utilizar mais combustíveis fósseis, como o gás natural, para dar resposta à procura. No entanto, desde 2020, a Califórnia instalou mais baterias gigantes do que qualquer outra região do mundo, além da China.

De acordo com a notícia do site de notícias americano, estas baterias “desempenham um papel fundamental na rede elétrica da Califórnia, substituindo parcialmente os combustíveis fósseis à noite”, dando o exemplo de que, entre as 19h e as 22h de 30 de abril, as baterias forneceram mais de um quinto da eletricidade do estado americano e, por alguns minutos, geraram 7.046 megawatts de eletricidade, “semelhante à produção de sete grandes reatores nucleares”, salienta a notícia.

Neste sentido, o artigo avança ainda que, nos EUA, as empresas de energia estão a usar cada vez mais baterias gigantes do tamanho de contentores para lidar com a maior fraqueza da energia renovável: o facto de o vento e o sol nem sempre estarem disponíveis.

Para Helen Kou, chefe de análise de energia dos EUA da BloombergNEF, empresa de investigação: “o que está a acontecer na Califórnia é um vislumbre do que pode acontecer com outras redes no futuro”. E continua: “as baterias estão a mudar rapidamente pequenas aplicações desta tecnologia para transferir grandes quantidades de energia renovável para os períodos de maior procura de eletricidade”.

Segundo o artigo, a maioria das baterias de rede utiliza tecnologia de iões de lítio, semelhante às baterias de um smartphone ou de um carro elétrico. “À medida que a indústria de veículos elétricos foi crescendo, na última década, os custos das baterias caíram cerca de 80%, tornando-se uma opção competitiva para o armazenamento de energia em larga escala. Os subsídios federais também estimularam este crescimento”, adianta o artigo do The New York Time.

Na Califórnia foram estabelecidas ambiciosas medidas para combater as alterações climáticas, que indicam que os legisladores antecipam que as baterias gigantes possam ajudar o estado americano a obter 100% da sua eletricidade através de fontes livres de carbono até 2045.

“Embora o estado continue fortemente dependente do gás natural, um contribuinte significativo para o aquecimento global, as baterias estão a começar a consumir o mercado de combustíveis fósseis e os reguladores estaduais planeiam quase triplicar a capacidade da bateria até 2035”, lê-se no artigo.

“O futuro é brilhante para o armazenamento de energia”, afirmou Andrés Gluski, presidente-executivo da AES Corporation, empresa de energia, citado no site do órgão de comunicação americano. “Se querem mais energia renovável nas redes, são precisas mais baterias. Não vai funcionar de outra forma”, acrescenta.

De acordo com o artigo, a Califórnia tem atualmente 10.000 megawatts de capacidade de energia de bateria na rede, o suficiente para abastecer 10 milhões de casas durante algumas horas.

Já no Texas, as baterias ainda são amplamente usadas para fornecer serviços auxiliares, estabilizando a rede quando existem interrupções inesperadas. No entanto, o estado americano está rapidamente a alcançar a Califórnia no que diz respeito a energia solar, e as baterias estão a ajudar cada vez mais nos picos noturnos de procura, enfatiza o artigo.

Atualmente, as baterias gigantes fornecem, no máximo, 4% da eletricidade do Texas, o suficiente para abastecer um milhão de casas, indica o artigo do The New York Times.

Outras regiões dos EUA estão a seguir a tendência, com o estado do Arizona e da Geórgia a planearem instalar milhares de megawatts de capacidade em bateria para ajudar a gerir a crescente procura de data centers e fábricas.

No entanto, o setor ainda enfrenta alguns obstáculos, adianta o site de notícias americano. Isto porque as baterias de iões de lítio são inflamáveis e, embora os operadores tenham tomado medidas para reduzir o risco de incêndio, algumas comunidades estão a mostrar-se contra a instalação destas infraestruturas perto de suas casas.

Além disso, a maioria das baterias vem, maioritariamente da China, tornando-as vulneráveis a disputas comerciais, salienta o The New York Time. Em alguns estados, as regulamentações são complexas e, muitas vezes, impedem que as concessionárias avancem com este tipo de projetos.

 

 

 

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