Biodiversidade

COP15: Quase 200 países concordam em proteger 30% do planeta até 2030

COP15: Quase 200 países concordam em proteger 30% do planeta até 2023

A 15.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para a Diversidade Biológica (COP15) foi marcada por um acordo histórico, no qual cerca de 200 países (exceto os Estados Unidos da América e o Vaticano – que não fazem parte da conferência) concordaram em proteger pelo menos 30% da terra e água do planeta até 2030.

De acordo com o The Guardian, o acordo foi atingido após mais de quatro anos de negociações, vários adiamentos devido à pandemia de covid-19, negociações noite dentro e objeções de alguns países africanos devido a alguns detalhes do acordo.

A finalização da discussão está envolta em polémica, uma vez que a República Democrática do Congo (RDC) afirma ter bloqueado o acordo final, afirmando que não podia apoiá-lo uma vez que não criava um novo fundo para a biodiversidade. Esse fundo seria separado do existente, o Fundo Global para o Meio Ambiente. A China, o Brasil, a Indonésia, a Índia e o México são os maiores recipientes destes fundos e alguns estados africanos queriam mais dinheiro para a conservação.

No entanto, o presidente da COP15 e ministro do Ambiente da China, Huang Runqiu, sinalizou que o acordo estava terminado e acordado momentos após as declarações da RDC.

Os negociadores dos Camarões, do Uganda e da RDC expressaram incredulidade pelo facto de o acordo ter sido concretizada. A RDC disse que se tinha oposto formalmente ao acordo, mas um advogado da ONU disse que não. O negociador dos Camarões chamou-lhe “fraude”, enquanto o Uganda disse que tinha havido um “golpe de Estado” contra a COP15.

No acordo final, os países decidiram criar um novo fundo no principal mecanismo de financiamento da biodiversidade existente nas Nações Unidas – Fundo Global para o Meio Ambiente – e comprometer-se com futuras conversações sobre um fundo separado. Os países ricos concordaram em fornecer 30 mil milhões de dólares de ajuda à biodiversidade até ao final da década.

Foi ainda decidido a reforma de subsídios prejudiciais para o ambiente, no valor de 500 mil milhões de dólares, e a restauração de 30% dos ecossistemas degradados.  Os governos também acordaram medidas urgentes para travar as extinções de espécies ameaçadas e promover a sua recuperação.