Descarbonização

80% das emissões globais de CO2 são responsabilidade de 57 entidades

80% das emissões globais de CO2 são responsabilidade de 57 entidades iStock

Depois da adoção do Acordo de Paris, 80% das emissões globais de CO2 podem ser atribuídas a 57 entidades empresariais, estatais e produtoras de combustíveis fósseis. É a conclusão do Relatório Carbon Majors, da responsabilidade do centro de investigação britânico InfluenceMap.

Através da base de dados do centro de investigação, concluiu-se que a maioria das empresas estatais e de investidores expandiu as suas operações de produção desde o Acordo de Paris. Desta forma, o relatório avança que 58 das 100 empresas estavam ligadas a emissões mais elevadas nos sete anos após o Acordo de Paris do que no mesmo período anterior. Este aumento é mais significativo na Ásia, onde 13 em cada 15 (87%) empresas avaliadas estão ligadas a emissões mais elevadas em 2016-2022 do que em 2009-2015, e no Médio Oriente, onde este número é de 7 em cada 10 empresas (70%).

Já na Europa, 13 de 23 empresas (57%), na América do Sul, 3 de 5 (60%) empresas, e na Austrália, 3 de 4 (75%) empresas estão ligadas a um aumento das emissões, assim como 3 de 6 (50%) empresas africanas. A América do Norte é a única região em que uma minoria de empresas, 16 de 37 (43%), foi associada ao aumento das emissões.

A base de dados da Carbon Majors classificou as entidades em três tipos: empresas detidas por investidores, empresas estatais e Estados-nação. De acordo com o relatório, as empresas de investidores são responsáveis por 31% de todas as emissões registadas na base de dados, com a Chevron, a ExxonMobil e a BP a serem as empresas que mais contribuem, respetivamente.

As empresas estatais estão ligadas a 33% do total da base de dados, com a Saudi Aramco, a Gazprom e a National Iranian Oil Company nos primeios lugares dos maiores contribuintes. Os Estados-nação representam os restantes 36%, sendo a produção de carvão da China e da antiga União Soviética os maiores contribuintes.

A base de dados, que conta com 117 entidades e que faz contabilização das emissões entre 1854 e 2022, coloca a China na primeira da lista, contribuindo para 14% das emissões. Seguindo-se a antiga União Soviética (6,82%), a Arábia Saudita (3,63%), a Chevron (2,98%) e a ExxonMobil (2,79%).

Para Tzeporah Berman, presidente do Tratado de Não-Proliferação de Combustíveis Fósseis: “a investigação da Carbon Majors mostra quem são os responsáveis pelo calor e clima extremo e pela poluição atmosférica que está a ameaçar vidas e a causar estragos nos nossos oceanos e florestas. Estas empresas obtiveram milhares de milhões de dólares de lucros enquanto negavam o problema e atrasavam e obstruíam a política climática”.

E continua: “Gastam milhões em campanhas publicitárias sobre ser parte de uma solução sustentável, enquanto continuam a investir em mais extração de combustíveis fósseis. Estas descobertas enfatizam, mais do que nunca, que precisamos que os Governos enfrentem estas empresas e precisamos de uma nova cooperação internacional através de um Tratado sobre Combustíveis Fósseis para acabar com a expansão dos combustíveis fósseis e garantir uma transição verdadeiramente justa”.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o consumo mundial de carvão aumentou quase 8% entre 2015 e 2022, tendo atingido um máximo histórico de 8,3 mil milhões de toneladas em 2022, refere o relatório, que concluiu que, entre 2015 e 2022, as emissões de CO2e associadas à produção de carvão detida pelos investidores diminuíram 28%, enquanto as emissões de CO2e associadas à produção de carvão das empresas públicas e dos Estados nacionais aumentaram 29% e 19%, respetivamente.

 

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