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Uzbequistão avança com nova cidade para responder à pressão urbana

Uzbequistão avança com nova cidade para responder à pressão urbana Direitos Reservados

O Governo do Uzbequistão está a desenvolver o projeto “New Tashkent” (Nova Tashkent), uma cidade de raiz que visa absorver o crescimento populacional, reduzir a pressão ambiental sobre a atual Tashkent e introduzir novos padrões de vida urbana na Ásia Central.

O projeto arrancou oficialmente em março de 2023, com o lançamento da primeira pedra.

Localizada estrategicamente entre os rios Chirchik e Korasuv, nas imediações da atual capital, a Nova Tashkent deverá ocupar cerca de 20 mil hectares, afirmando-se como um novo polo urbano e não apenas como um subúrbio periférico.

De acordo com o plano do Governo, a cidade foi concebida para acolher cerca de dois milhões de habitantes e gerar aproximadamente 200 mil empregos qualificados, impulsionados pela inovação tecnológica.

A iniciativa surge num contexto de forte aceleração da urbanização no país. Segundo dados oficiais, mais de 51% da população do Uzbequistão deverá viver em áreas urbanas em 2025, com Tashkent a concentrar a maior pressão demográfica. Apesar de a capital ter oficialmente 3,1 milhões de residentes, a população diária poderá ser até 35% superior, devido a estudantes e migrantes internos, colocando desafios crescentes aos sistemas de transportes, habitação e serviços públicos.

Segundo o Governo, a sustentabilidade está no centro do projeto urbano. Os edifícios estão a ser concebidos de acordo com normas ambientais internacionais, garantindo eficiência energética, uso responsável da água e ambientes interiores saudáveis. Entre as soluções previstas incluem-se coberturas verdes para reduzir o impacto do calor extremo, sistemas de recolha e reutilização de águas pluviais e uma infraestrutura energética baseada em fontes renováveis, combinando energia hídrica, parques solares e unidades de valorização energética de resíduos.

A mobilidade sustentável é outro eixo central da Nova Tashkent, sublinhou o Executivo do Uzbequistão. O plano prevê uma nova linha de metro com 21 quilómetros de extensão a ligar a cidade à capital, a reintrodução de elétricos em corredores dedicados e a criação de oito interfaces multimodais que integrem metro, elétrico, autocarros, bicicletas e veículos elétricos.

A cidade será organizada segundo o conceito da “cidade dos 15 minutos”, permitindo que os residentes tenham acesso rápido a serviços essenciais a pé, de bicicleta ou em transporte público.

Do ponto de vista do desenho urbano, a Nova Tashkent seguirá um modelo radial, centrado nas pessoas, com serviços e equipamentos concentrados no núcleo urbano e zonas residenciais organizadas em torno desse centro. A infraestrutura verde desempenha um papel estruturante, integrando parques, frentes ribeirinhas, ciclovias e percursos pedonais, criando corredores ecológicos contínuos e contribuindo para um microclima mais favorável.

A primeira fase do projeto inclui ainda a criação de uma ilha cultural, atravessada por canais artificiais, pensada como polo de vida social e cultural. A rede de água, articulada com estes canais e com os espaços verdes, pretende reforçar a resiliência climática e melhorar o conforto térmico da cidade.

Até ao final de 2025, a construção já tinha atingido cerca de três milhões de metros quadrados, com vários ministérios e organismos públicos começaram a operar em instalações temporárias, testando a funcionalidade das infraestruturas.

Segundo o Governo do país, o projeto já gerou cerca de 10 mil postos de trabalho na construção e assegurou investimentos superiores a 1,7 mil milhões de euros através da venda de lotes comerciais.

 

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