Uma investigação internacional que analisou o impacto da mineração em mar profundo revelou que as máquinas de extração provocam uma redução de 37% nos organismos de maior porte que vivem no leito oceânico nas zonas diretamente percorridas, levando a um impacto significativo e imediato na biodiversidade do fundo oceânico.
O estudo, conduzido ao longo de cinco anos no Pacífico e publicado na revista Nature, reacendeu os apelos a uma moratória global para este tipo de exploração. A equipa científica analisou amostras recolhidas no fundo do Pacífico antes e depois de uma área de 80 km ter sido percorrida por máquinas de extração.
O trabalho foi conduzido por investigadores da Universidade de Gotemburgo, do Natural History Museum e do National Oceanography Centre do Reino Unido. No total, passaram mais de 160 dias no mar e três anos em laboratório para determinar a extensão dos danos causados pelas operações de teste.
A análise incidiu numa zona entre o Havai e o México, atualmente alvo de grande interesse devido ao seu solo rico em minerais. Os cientistas identificaram mais de 4.000 organismos a viver no fundo marinho e compararam a biodiversidade dois anos antes e dois meses depois de a máquina de extração ter atuado.
As conclusões são claras: o número de animais presentes nas marcas deixadas pelos veículos de mineração foi reduzido em 37% em comparação com áreas intactas. Estes organismos incluem vermes, crustáceos, caracóis e moluscos visíveis a olho nu. Embora não se tenham detetado alterações na abundância de animais nas regiões cobertas pela pluma de sedimentos, verificou-se uma redução de 32% na riqueza de espécies.

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