Transição energética

Modelos económicos atuais subestimam danos climáticos, revelou estudo

Modelos económicos atuais subestimam danos climáticos, revelou estudo iStock

Cientistas alertaram que os modelos económicos atuais estão a subestimar significativamente os danos causados pelas alterações climáticas na economia global.

De acordo com um novo relatório liderado pela equipa Green Futures Solutions da Universidade de Exeter, em parceria com o think tank financeiro Carbon Tracker, os modelos económicos usados por governos, bancos centrais e investidores estão a “subestimar cada vez mais” os riscos climáticos.

O estudo alertou que os modelos de danos atuais estão a criar uma “falsa sensação de segurança” para a economia global. O relatório defendeu ainda uma colaboração mais próxima entre cientistas climáticos, economistas, reguladores e investidores antes que as temperaturas subam 2°C acima dos níveis pré-industriais, limiar que os cientistas acreditam ser o ponto de viragem para vários impactos catastróficos, como a perda em massa da biodiversidade e a acidificação dos oceanos.

Para Jesse Abrams, autor principal do estudo, “os modelos económicos atuais subestimam sistematicamente os danos climáticos porque não conseguem capturar o que mais importa – os fracassos em cascata, os efeitos de limiar e os choques acumulados que definem o risco climático num mundo mais quente e que podem minar as próprias bases do crescimento económico”.

Segundo a análise, os modelos económicos tradicionais ligam os danos às alterações na temperatura média global, sem considerar o impacto do clima extremo causado pelas alterações climáticas, como ondas de calor, inundações e secas. No verão passado, enfatiza o estudo como exemplo, as condições meteorológicas extremas na Europa resultaram em perdas económicas imediatas de, pelo menos, 43 mil milhões de euros, com os custos totais podendo chegar a 126 mil milhões de euros até 2029.

O relatório revelou ainda que a maioria dos quadros económicos existentes trata as alterações climáticas como um “choque marginal” a um sistema económico estável, um pressuposto que, segundo os investigadores, “já não se mantém”, pois as alterações climáticas continuam a perturbar múltiplos sectores simultaneamente.

O estudo sublinhou também que as alterações climáticas podem remodelar as estruturas económicas, alterando onde as pessoas vivem, o que pode ser produzido, como as infraestruturas funcionam e quais as regiões que permanecem economicamente viáveis.

“Essa distinção é crucial para os responsáveis políticos e instituições financeiras: os riscos que alteram a estrutura do sistema não podem ser avaliados usando modelos projetados para pequenos choques reversíveis”, explicou Jesse Abrams.

Outro ponto destacado foi o erro comum sobre os danos climáticos no PIB, onde, por exemplo, uma projeção de perda de 20% no PIB é interpretada como uma redução direta da produção económica atual.

O estudo argumentou que os economistas criaram uma “economia mágica”, onde o crescimento do PIB de 3% ao ano continua indefinidamente, independentemente da gravidade dos impactos climáticos.

O relatório afirmou assim que “em nenhum momento os modelos dos economistas consideram a possibilidade de uma diminuição estrutural do tamanho da economia”.

Uma das principais críticas dos investigadores é que o PIB é demasiado “estreito” para representar os danos climáticos, subestimando os verdadeiros prejuízos económicos, sociais e ambientais. O PIB não leva em conta fatores como mortalidade humana, desigualdade, perda cultural, degradação dos ecossistemas e interrupção da vida social, sublinhou a análise.

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