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Universidade do Porto cria sistema de monitorização do oceano através da energia das ondas

Universidade do Porto cria sistema de monitorização do oceano através da energia das ondas iStock

A Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) lidera o projeto BEAT-IT, que visa desenvolver um sistema totalmente alimentado pela energia dos oceanos para a monitorização ambiental marítima.

“O nosso objetivo é desenvolver a primeira plataforma de monitorização oceânica energeticamente autónoma, ao integrar de forma inovadora tecnologias emergentes de recolha e de armazenamento de energia”, explicou João Ventura, responsável pelo projeto e investigador da FCUP.

Direitos Reservados // Da esquerda para a direita: David Rainho, Cátia Rodrigues, Guilherme Rouxinol, Patrícia Soares, Joana Oliveira, João Pedro Ferreira, Tiago Salgueiro, Candido Duarte, Joao Ventura, Joana Santos.

 

De acordo com a comunicação no site da instituição académica, a equipa do BEAT-IT, composta por investigadores da FCUP e da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP), tem como objetivo integrar, num único sistema, três tecnologias distintas.

Duas são para recolha de energia: os nanogeradores tribolétricos (TENGs), que convertem o movimento das ondas em eletricidade, e os geradores induzidos por evaporação da água (WEIGs), que transformam o calor ambiente em energia elétrica. A terceira tecnologia é para armazenamento: as baterias de água do mar, que utilizam os iões do oceano como recurso energético.

“Estas baterias extraem iões de sódio diretamente do sal da água do mar e podem armazenar a energia do movimento das ondas recolhida pelos TENGs, bem como a da evaporação da água recolhida pelos WEIGs”, referiu Joana Oliveira, professora do Departamento de Engenharia Química e Biológica da FEUP.

Segundo a comunicação, as tecnologias têm em comum a facilidade de escalabilidade e o baixo custo de produção e manutenção. Os nanogeradores tribolétricos, por exemplo, têm mostrado grande potencial para serem integrados em boias flutuantes no mar, podendo ser incorporados diretamente no flutuador. Este detalhe é crucial, pois permite que os dispositivos resistam à corrosão do mar e gerem energia tanto de dia quanto de noite.

O objetivo é combinar essas soluções para demonstrar que é possível recolher, converter e armazenar energia diretamente no ambiente marinho, sem depender de combustíveis fósseis ou infraestrutura externa.

Além da monitorização contínua e sustentável, este projeto pode apoiar áreas como a aquicultura, a vigilância costeira e a chamada “internet subaquática das coisas”.

“A energia gerada pelo oceano também pode alimentar sensores de temperatura ou salinidade, por exemplo, já utilizados na aquicultura ou para detetar embarcações não autorizadas na vigilância costeira”, afirmou o responsável pelo projeto.

Quanto à internet subaquática das coisas, uma área emergente, a tecnologia desenvolvida pela FCUP e pela FEUP poderá fornecer energia para alimentar a transmissão de dados em tempo real a partir do fundo do mar.

A comunicação também enfatiza que o BEAT-IT representa um avanço importante rumo a uma economia azul mais ‘verde’ e resiliente.

Este projeto, cofinanciado pelo programa COMPETE 2030, conta com um financiamento de 250 mil euros e está previsto para decorrer até julho de 2028.

 

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