A cana-de-açúcar pode vir a desempenhar um papel central na produção de combustíveis sustentáveis para a aviação, ao oferecer uma alternativa viável ao carbono de origem fóssil.
A conclusão é defendida por investigadores do ARC Research Hub for Engineering Plants to Replace Fossil Carbon, centro australiano de investigação colaborativa, que estão a trabalhar no desenvolvimento de soluções renováveis capazes de responder às necessidades de escala da indústria da aviação.
Segundo os investigadores, as plantas continuam a ser, atualmente, a melhor fonte de carbono renovável disponível, e a cana-de-açúcar destaca-se pela sua elevada produtividade e pela capacidade de ser cultivada em larga escala com uma utilização relativamente reduzida de solo.
Ao contrário de outras alternativas, como as algas, consideradas economicamente pouco viáveis, ou culturas como a colza, cuja produção exigiria áreas de cultivo incompatíveis com a dimensão do problema, a cana-de-açúcar reúne condições únicas para responder à procura do setor.
A investigação em curso centra-se na melhoria da biomassa vegetal para aumentar a proporção de matéria convertível em combustível, sem reduzir os níveis de produção agrícola.
Para esse efeito, os cientistas estão a estudar alterações genéticas em culturas como o arroz, o sorgo e a própria cana-de-açúcar. O arroz é utilizado como modelo experimental, por ser mais simples de manipular geneticamente, permitindo depois transferir as alterações mais promissoras para culturas geneticamente mais complexas.
Segundo os investigadores, a Austrália, e em particular o estado de Queensland, é apontada como um território com condições privilegiadas para liderar esta transição, graças à existência de uma indústria da cana-de-açúcar consolidada, forte capacidade científica e parcerias internacionais. A elevada procura interna por transporte aéreo reforça também a necessidade de soluções sustentáveis que possam ser produzidas localmente.
O objetivo passa agora por reduzir ainda mais os custos de produção e tornar o investimento em combustíveis sustentáveis para a aviação economicamente atrativo à escala global.
Para os investigadores, o desafio é complexo, mas decisivo para o futuro do setor: desenvolver culturas com elevada produtividade e maior eficiência na conversão de biomassa em combustível.

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