Os veículos elétricos deverão ultrapassar os carros a gasóleo nas estradas da Grã-Bretanha até 2030, segundo uma análise que aponta Londres como a primeira cidade do Reino Unido a ficar sem veículos diesel registados.
A precisão é do think tank New AutoMotive, que avança que o número de automóveis a gasóleo em circulação na Grã-Bretanha caiu para 9,9 milhões em junho do ano passado, uma descida de 21% face ao pico de 12,4 milhões registado anteriormente. Apesar de as vendas de carros elétricos continuarem a crescer, esse crescimento está a ocorrer a um ritmo mais lento do que o inicialmente esperado pelos fabricantes.
A transição, no entanto, não é homogénea em todo o setor rodoviário. Enquanto os automóveis ligeiros avançam para soluções mais limpas, o número de carrinhas a gasóleo continua a aumentar, atingindo um máximo histórico de 4,4 milhões.
Os responsáveis pelo estudo explicam que o Reino Unido viveu uma forte aposta no gasóleo nos anos 2000, impulsionada por políticas fiscais favoráveis. Os motores diesel eram considerados mais eficientes do que os a gasolina, consumindo menos combustível e emitindo menos dióxido de carbono. Contudo, produzem maiores quantidades de óxidos de azoto, prejudiciais para a saúde pública.
Em 2015, o escândalo conhecido como “Dieselgate”, envolvendo a Volkswagen, revelou a utilização de software para contornar testes de emissões. Na sequência desse escândalo, as vendas de carros a gasóleo caíram drasticamente, ficando abaixo das 100 mil unidades nos primeiros 11 meses de 2025.
Ainda assim, a redução do número total de veículos diesel em circulação tem vindo a registar-se gradual, uma vez que muitos automóveis adquiridos nos anos de maior procura só agora estão a ser abatidos.
Segundo a Society of Motor Manufacturers and Traders, os carros elétricos representavam apenas 4% do parque automóvel britânico no ano passado, face a 32% de veículos a gasóleo e 58% a gasolina. Os restantes 6% correspondiam a veículos híbridos, maioritariamente com motores a gasolina combinados com baterias de menor dimensão.
Apesar disso, a análise antecipa que o número de veículos a diesel continue a cair à medida que os modelos mais antigos forem retirados de circulação, trazendo benefícios para as cidades, onde a concentração de partículas poluentes é mais elevada. Esta tendência deverá também afetar os postos de abastecimento, levando muitos a deixar de disponibilizar gasóleo.
Londres deverá ser a primeira zona do país sem registos de carros ou carrinhas a gasóleo, no entanto, a redução é igualmente acentuada no centro da Escócia, onde cidades como Edimburgo e Glasgow implementaram zonas de baixas emissões, explica a análise.
“Acabar com o uso do gasóleo é essencial para limpar as cidades sufocadas da Grã-Bretanha”, afirmou Ben Nelmes, diretor-executivo da New AutoMotive. E continua: “o Reino Unido está agora a expandir rapidamente o uso de carros elétricos, o que é uma excelente notícia para todos os que valorizam ar mais limpo, ruas mais silenciosas e custos de utilização muito mais baixos”.
A análise indicou, contudo, que muitos veículos a gasóleo estão a ser vendidos por residentes urbanos a compradores em zonas rurais, adiando a eliminação total deste tipo de motorização fora das grandes cidades.
No caso das carrinhas, o relatório concluiu que, embora o número total tenha aumentado na última década, o pico das vendas de novos modelos a gasóleo terá ocorrido antes da pandemia, o que significa que a sua presença nas estradas deverá diminuir progressivamente.

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