Mensagens associadas à esperança podem ser mais eficazes do que comunicações baseadas no medo para incentivar a resolução criativa de problemas em sustentabilidade, sugere um estudo de investigadores da Universidade de Nottingham, publicado no Journal of Environmental Psychology.
A investigação analisou de que forma diferentes emoções influenciam a resolução de problemas no contexto da ação climática. O estudo centrou-se no conceito de “criatividade climática”, entendido no trabalho como a capacidade de gerar ideias relacionadas com comportamentos sustentáveis e ação climática.
“Queríamos explorar a teoria de que as emoções positivas podem ter um impacto mais amplo no comportamento e ser mais propensas a produzir comportamento criativo”, afirmou a professora Alexa Spence, da Escola de Psicologia da Universidade de Nottingham, que liderou o estudo.
A investigadora assinalou que emoções negativas como medo, culpa e raiva são frequentemente utilizadas para tentar influenciar comportamentos sustentáveis.
“Embora possam criar uma reação inicial de curto prazo, propomos que as emoções positivas podem ter efeitos diferentes, mais abrangentes e mais duradouros”, acrescentou.
A investigação envolveu perto de 500 participantes em dois estudos separados. No primeiro, os participantes realizaram exercícios destinados a medir diferentes aspetos da criatividade. No segundo, foi analisado o efeito de mensagens emocionais sobre a criatividade climática.
Para esta etapa, os participantes foram distribuídos aleatoriamente para ver um de dois vídeos relacionados com o clima, concebidos para provocar respostas emocionais distintas.
Segundo a universidade, o vídeo baseado na esperança adotava uma abordagem otimista sobre as alterações climáticas, destacando potenciais soluções de mitigação, com linguagem positiva e música de fundo inspiradora. Já o vídeo baseado no medo apresentava uma perspetiva pessimista, colocava dúvidas sobre a eficácia das soluções e recorria a linguagem alarmista e negativa, música mais sombria e um filtro escuro nas imagens.
Após a visualização dos vídeos, os participantes completaram novas tarefas relacionadas com criatividade e sustentabilidade. Os resultados indicaram que os participantes expostos a mensagens climáticas esperançosas demonstraram níveis mais elevados de criatividade, em particular na criação de ideias associadas a comportamentos sustentáveis e ação climática.
“Os resultados do estudo indicam que inspirar esperança nas alterações climáticas está relacionado com níveis mais elevados de criatividade e, especificamente, de criatividade climática”, afirmou Alexa Spence.
Segundo a investigadora, trata-se do primeiro estudo deste tipo a identificar aumentos na criatividade climática resultantes de comunicações baseadas na esperança, sugerindo que esta pode ser um recurso para promover a resolução de problemas e a ação climática.
A responsável acrescentou ainda que, do ponto de vista teórico, as emoções positivas são mais propensas a inspirar comportamento social e mudanças de comportamento mais duradouras, podendo também favorecer ciclos de retorno positivo em que novas ações ambientais surgem como consequência.

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