Transição energética

Renováveis pouparam 29 mil milhões de euros aos consumidores europeus em 2026

Renováveis pouparam 29 mil milhões de euros aos consumidores europeus em 2026 iStock

As energias renováveis permitiram poupar cerca de 29 mil milhões de euros aos consumidores europeus nas primeiras 16 semanas de 2026, segundo uma análise da Agência Europeia do Ambiente (AEA), que analisa o impacto da volatilidade do gás nos preços de mercado da eletricidade na União Europeia (UE).

O mesmo estudo estima que a volatilidade dos preços do gás tenha acrescentado cerca de 13 mil milhões de euros à fatura de eletricidade da UE até meados de abril. A análise conclui que, apesar dos progressos na transição energética, os preços do mercado da eletricidade na UE continuam vulneráveis aos choques externos nos combustíveis fósseis.

Nas primeiras 16 semanas de 2026, a eletricidade renovável representou 44% da produção elétrica da UE, quase o dobro da quota registada em 2010. Durante esse período, o preço médio de mercado da eletricidade na UE atingiu 98 euros por MWh.

De acordo com a análise, se os preços do gás se tivessem mantido estáveis, a fatura do mercado da eletricidade teria sido de 65,8 mil milhões de euros. O valor observado foi de 78,8 mil milhões de euros, diferença que corresponde ao custo estimado da volatilidade do gás.

Num cenário alternativo em que a expansão das renováveis tivesse ficado ao nível de 2010, a fatura do mercado europeu de eletricidade teria subido para 107,7 mil milhões de euros. Este exercício permite estimar em 29 mil milhões de euros o efeito de poupança associado ao aumento da produção renovável desde 2010.

O estudo considera que as renováveis estão a funcionar como um amortecedor estrutural contra a volatilidade dos combustíveis fósseis. A análise sublinha que, quando a produção renovável aumenta, as centrais a gás são chamadas menos vezes a definir o preço marginal da eletricidade no mercado europeu.

O relatório recorda que, no mercado elétrico europeu, a eletricidade é comprada por ordem de custo de produção. As tecnologias com custos operacionais mais baixos, como eólica, solar e hídrica, entram geralmente primeiro. No entanto, quando é necessário recorrer a centrais a gás para satisfazer a procura, o preço do gás pode influenciar o preço pago a todos os produtores no mercado.

A exposição ao gás varia entre países. Em 2026, Itália e Polónia surgem entre os mercados mais expostos à volatilidade do gás, com esta fonte a definir o preço da eletricidade em 66% e 63% das horas analisadas, respetivamente. Em Espanha, o gás definiu o preço em apenas 9% das horas, com um preço médio de 43 euros por MWh no período observado.

Segundo o estudo, estas diferenças refletem escolhas de política energética e a composição dos sistemas elétricos nacionais. Em Espanha, as fontes de baixo carbono representaram 79% da produção elétrica no período analisado, enquanto o gás representou 16%. Em Itália, o gás forneceu 53% da produção doméstica e as fontes de baixo carbono 40%.

A análise aponta ainda que o reforço das renováveis poderá ter um efeito crescente nos preços de mercado até 2030. Num cenário de maior implantação renovável, o preço médio grossista da eletricidade na UE poderia descer para 71 euros por MWh, com as renováveis a atingirem 68% da produção elétrica total.

Pelo contrário, num cenário de atraso na implantação de renováveis, mantendo maior dependência do gás, o preço médio do mercado poderia aumentar para 160 euros por MWh até 2030. O estudo estima que este cenário representaria uma subida de 125%.

A conclusão central é que a velocidade de implantação das renováveis será determinante para reduzir a exposição da UE aos preços internacionais do gás. Segundo a análise, preços estáveis do gás podem oferecer alívio de curto prazo, mas não substituem a proteção estrutural associada a um sistema elétrico com maior peso de renováveis.

O estudo defende que, para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e a exposição macroeconómica à volatilidade de preços, as estratégias de segurança energética dos Estados-Membros devem combinar aceleração das renováveis, eletrificação, eficiência energética e resposta da procura.

A análise enquadra estes dados num contexto de elevada dependência europeia de importações fósseis. Em 2024, as importações representavam cerca de 85% do gás e 97% dos produtos petrolíferos consumidos na UE. Esta dependência mantém a economia europeia exposta a choques externos, com impacto direto nos preços da eletricidade, na competitividade e na autonomia estratégica.

 

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