A Europa poderá enfrentar uma “grave crise de polinizadores” se não forem adotadas medidas coordenadas para travar o declínio das espécies de polinizadores selvagens, conclui um novo estudo elaborado por 135 investigadores de oito consórcios de investigação financiados pela União Europeia (UE).
O estudo, intitulado “Rumo à gestão responsável dos polinizadores em todas as políticas: a incoerência política na UE é uma grande barreira à restauração dos polinizadores”, contou com contributos de projetos como BUTTERFLY, RestPoll, ProPollSoil e PolinERA, bem como de investigadores da Universidade de Aarhus.
Segundo os autores, as políticas europeias atualmente destinadas à proteção dos polinizadores selvagens continuam demasiado fragmentadas. A responsabilidade está distribuída por áreas como agricultura, ambiente, regulação de produtos químicos, comércio e finanças, o que dificulta uma resposta coerente ao declínio destas espécies.
Os investigadores defendem que esta falta de coordenação tem limitado a eficácia das medidas existentes. O declínio dos polinizadores é também apresentado como reflexo de pressões mais amplas sobre os ecossistemas resultantes da atividade humana.
Para os autores, a recuperação das populações de polinizadores exige políticas de gestão do território e políticas ambientais mais alinhadas com a evidência científica disponível sobre ecossistemas resilientes.
O estudo alerta ainda que algumas iniciativas de conservação, embora bem-intencionadas, podem não estar a produzir os resultados esperados.
“Muitos agricultores criam faixas de flores, mas poucos sabem que algumas espécies de traças são, na verdade, polinizadoras mais eficazes do que as abelhas”, afirma Jeroen van der Sluijs, autor principal do relatório e professor no Centro de Estudos de Ciências e Humanidades da Universidade de Bergen.
Os investigadores apontam também lacunas de conhecimento entre partes interessadas com influência direta sobre os habitats dos polinizadores. Por isso, recomendam que a educação sobre ecossistemas e polinizadores seja integrada num conjunto mais alargado de disciplinas académicas.
O relatório apresenta um roteiro com 15 recomendações baseadas na evidência científica mais recente. As propostas abrangem áreas como coordenação política, regulação, práticas agrícolas e educação, com o objetivo de apoiar a recuperação dos polinizadores selvagens na UE.

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