O automóvel continua a ser o principal meio de transporte dos residentes da Área Metropolitana de Lisboa (AML), mas quase metade dos inquiridos admite utilizar mais os transportes públicos se existissem melhores horários e maior frequência, segundo o estudo “Tendências Urbanas de Mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa”.
O estudo, apresentado pelo Automóvel Club de Portugal (ACP), foi realizado junto de 1850 residentes dos 18 concelhos da AML. A análise avalia hábitos de deslocação, utilização dos diferentes modos de transporte, segurança rodoviária, políticas municipais de mobilidade e desafios futuros.
De acordo com os resultados, 59% dos inquiridos utilizam o automóvel como principal meio de transporte e 67% consideram-no o modo de deslocação preferido. A rapidez, a praticidade e a flexibilidade são os principais fatores apontados para esta escolha.
Apesar da predominância do automóvel, o estudo identifica margem para uma maior utilização dos transportes públicos. Quase metade dos inquiridos, 48%, afirma que recorreria mais a este modo de transporte se houvesse maior frequência e melhores horários. Outros 31% apontam a necessidade de ligações mais diretas e com menos transbordos.
De acordo com a análise, a redução do preço surge como principal incentivo para apenas 17% dos inquiridos, o que indica que a qualidade da oferta é mais determinante do que o custo na decisão de utilização dos transportes públicos.
Entre os principais problemas de mobilidade identificados pelos residentes estão o excesso de trânsito, referido por 46%, a falta de estacionamento, apontada por 42%, e a insuficiente fiscalização e presença policial, mencionada por 33%.
O estudo mostra ainda que 34% dos inquiridos não mudam a sua forma habitual de deslocação por falta de alternativas convenientes. Outros 22% referem a necessidade de flexibilidade e a falta de tempo. Apenas um quarto dos participantes afirma estar plenamente satisfeito com o modo como se desloca atualmente.
Na avaliação das políticas municipais de mobilidade, Oeiras, Barreiro e Cascais surgem como os concelhos melhor classificados pelos residentes. Setúbal é o único município com saldo negativo na avaliação global.
De forma transversal, os cidadãos indicam que a principal prioridade das autarquias deve ser o aumento da frequência e da fiabilidade dos transportes públicos. Seguem-se a criação de ligações mais diretas e rápidas e a redução do congestionamento automóvel.
A segurança rodoviária surge também como preocupação relevante. Os comportamentos considerados mais perigosos são a condução distraída, indicada por 48%, e o excesso de velocidade, referido por 46%. O reforço da presença policial é a medida mais apontada para melhorar a segurança rodoviária, com 30% das respostas.
O estudo identifica ainda uma preocupação crescente com a sustentabilidade na mobilidade. Os residentes demonstram interesse em soluções mais limpas, incluindo o reforço dos transportes públicos elétricos. Ainda assim, bicicletas e trotinetes continuam entre os modos de transporte menos preferidos para utilização diária.
Cerca de 29% dos inquiridos já possuem ou ponderam adquirir um veículo elétrico. O teletrabalho surge também como uma das medidas mais valorizadas para reduzir a necessidade de deslocações.

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