Mobilidade

Estudo coloca Portugal entre os mercados mais competitivos para frotas elétricas

Estudo coloca Portugal entre os mercados mais competitivos para frotas elétricas iStock

Portugal passou a integrar o grupo dos mercados “Desenvolvidos” em mobilidade elétrica, segundo o Ayvens Mobility Guide 2026, estudo que analisa a evolução da eletrificação em 30 países europeus.

De acordo com a nova edição do relatório, Portugal ocupa o 7.º lugar no ranking europeu de maturidade em mobilidade elétrica, empatado com a Dinamarca e à frente de países como França, Alemanha, Reino Unido, Luxemburgo e Suíça.

O país obteve uma pontuação global de 67 em 100, refletindo, segundo o estudo, uma evolução consistente na adoção de veículos elétricos e no enquadramento económico associado à eletrificação. A classificação assinala a passagem de Portugal de um estágio de desenvolvimento para um nível de maturidade mais elevado no contexto europeu.

Um dos principais fatores que contribuem para este posicionamento é a competitividade do custo total de utilização, ou TCO. Segundo o estudo, Portugal apresenta o diferencial mais elevado entre veículos elétricos e veículos com motor de combustão interna entre os 30 países analisados.

O custo total de utilização dos veículos elétricos situa-se em 0,25 euros por quilómetro, enquanto o dos veículos com motor de combustão interna é de 0,39 euros por quilómetro. Para as empresas, esta diferença representa um fator relevante na transição para frotas elétricas, mesmo num contexto de redução progressiva dos incentivos fiscais.

Apesar do desempenho positivo na adoção e nas condições económicas dos veículos elétricos, a infraestrutura de carregamento continua a ser apontada como o principal desafio para Portugal. O estudo refere que, embora a rede pública tenha evoluído, ainda existe margem de melhoria ao nível da densidade e da cobertura.

A fiscalidade e a regulamentação são também identificadas como fatores críticos. Portugal apresenta um posicionamento intermédio neste pilar, sendo que a evolução futura dependerá da estabilidade e previsibilidade das políticas públicas.

A nível europeu, o estudo identifica uma mudança nas políticas públicas associadas à mobilidade elétrica. Os anos de 2025 e 2026 marcaram, segundo o relatório, um ponto de viragem, com vários governos a substituir subsídios generalizados por mecanismos fiscais mais seletivos e sustentáveis no longo prazo.

Em paralelo, os incentivos a veículos com motor de combustão interna e a híbridos plug-in têm vindo a ser progressivamente eliminados, enquanto as medidas fiscais associadas a emissões elevadas se tornam mais exigentes.

O relatório assinala ainda que a rede pública de carregamento continua a expandir-se na Europa e que o custo total de utilização dos veículos elétricos está a tornar-se cada vez mais competitivo. Estes fatores reforçam a eletrificação como uma tendência estrutural no setor da mobilidade.

“A eletrificação na Europa está a entrar numa fase de implementação, cada vez mais orientada por aspetos concretos como o TCO, os modelos disponíveis e a infraestrutura de carregamento”, afirma António Oliveira Martins, diretor-geral da Ayvens Portugal.

Segundo o responsável, “para as empresas que estão a acelerar a eletrificação das suas frotas, Portugal assume-se hoje como um dos contextos mais favoráveis na Europa para o fazer”. António Oliveira Martins acrescenta que o país é aquele “onde o renting de veículos elétricos é mais competitivo e onde a diferença de custo face aos veículos a combustão é mais expressiva, garantindo a racionalidade económica, mesmo num cenário de menor apoio fiscal”.

O Ayvens Mobility Guide 2026 analisa 30 países europeus com base em cinco pilares: adoção de veículos elétricos, infraestrutura de carregamento, fiscalidade e regulamentação, custo total de utilização e sustentabilidade da eletricidade. Os mercados são classificados em três níveis de maturidade: “Desenvolvidos”, “Em Transição” e “Emergentes”.

 

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