Grandes empresas petrolíferas planeiam aumentar a produção de petróleo e gás até 2030, numa trajetória que contraria os objetivos climáticos definidos no Acordo de Paris, segundo uma análise do TPI Global Climate Transition Centre, da London School of Economics and Political Science.
De acordo com a análise citada, a Shell, a ExxonMobil, a Chevron e outras sete empresas cotadas pretendem aumentar a produção, em média, 14% entre 2024 e 2030. O cenário surge num contexto de temperaturas extremas em várias regiões do hemisfério norte e de novos alertas científicos sobre a relação entre a utilização de combustíveis fósseis e o aquecimento global.
A expansão prevista é superior ao cenário de manutenção das políticas atuais da Agência Internacional de Energia (AIE), que antecipa um aumento de 5,9% da produção de petróleo e gás esta década. Segundo a informação disponibilizada, esse cenário estaria associado a uma subida da temperatura global de 2,9°C até ao final do século.
A AIE tem defendido que, para alinhar o setor energético com o objetivo do Acordo de Paris de manter o aquecimento global bem abaixo dos 2°C, não devem avançar novos projetos de exploração ou desenvolvimento de petróleo e gás de longo prazo.
A análise surge num momento em que a indústria petrolífera beneficia de preços elevados do petróleo, impulsionados por conflitos no Médio Oriente, incluindo no Irão. Segundo a informação divulgada, o aumento dos lucros deverá ser seguido por maior investimento em novos poços.
O texto refere que várias empresas que anteriormente tinham assumido compromissos associados à transição energética recuaram em metas ou reduziram o investimento em energias renováveis. A BP é apresentada como exemplo: a empresa tinha prometido reduzir em 40% a produção de petróleo e gás e aumentar em dez vezes o investimento em renováveis, mas reduziu posteriormente essa meta de corte para 25%.
Mais tarde, a empresa anunciou uma redefinição estratégica, com redução de três mil milhões de dólares nos investimentos em energia renovável e aumento da despesa anual em petróleo e gás para dez mil milhões de dólares. A atual estratégia é descrita como um regresso à prioridade dada ao negócio petrolífero e ao valor para os acionistas.
O recuo não se limita à BP. Segundo a informação fornecida, as seis maiores petrolíferas europeias aumentaram os lucros combinados em 43% no mesmo período, atingindo 22 mil milhões de dólares, o valor mais elevado desde 2022. Várias destas empresas terão recuado em compromissos de energia verde e aumentado os seus planos de produção.
A Equinor, petrolífera estatal norueguesa, elevou em 6% a meta de produção de petróleo e gás até 2030. A Petrobras, no Brasil, pretende aumentar em 21% o fornecimento de petróleo até ao final da década.
Nos Estados Unidos, o maior produtor mundial de petróleo e gás, algumas empresas não assumiram compromissos de baixo carbono. A ExxonMobil prevê aumentar a produção em 25% e a Chevron em 15% até 2030, segundo os dados referidos.
O texto enquadra estes planos num contexto político e financeiro em que a maximização do retorno para os acionistas continua a condicionar a estratégia das empresas petrolíferas. A informação citada aponta ainda para o papel de investidores, grupos mediáticos e atores políticos no recuo de políticas de neutralidade carbónica.
A evolução ocorre num período de agravamento dos riscos climáticos. Um estudo de atribuição recente concluiu que a onda de calor severa e generalizada que afetou uma vasta região da Europa não teria ocorrido sem alterações climáticas causadas pela atividade humana.
O texto refere ainda a confirmação de um novo El Niño, que deverá estar entre os mais severos em décadas, aumentando riscos de incêndios, seca, degelo e pressão sobre ecossistemas vulneráveis, incluindo a Amazónia e as regiões polares.
A conclusão da análise é que a expansão da produção fóssil mantém a economia global numa trajetória incompatível com os objetivos climáticos internacionais. O texto defende que os incentivos económicos devem ser alterados e que as empresas petrolíferas devem suportar os custos associados ao recuo nos compromissos climáticos e aos impactos da produção fóssil.

iStock
