As empresas globais pouparam entre 80 mil milhões e 94 mil milhões de dólares através de iniciativas de redução de emissões desde 2024, segundo uma nova análise da CDP, organização internacional que recolhe e analisa dados ambientais reportados por empresas e entidades públicas.
Os dados constam do relatório 2026 Disclosure Dividend, que teve por base informação de mais de 11.260 grandes e médias empresas que reportaram dados ambientais através da CDP em 2025. Segundo a organização, estas empresas representam cerca de dois terços da capitalização bolsista global.
De acordo com a CDP, por cada dólar investido na resposta a riscos climáticos físicos, as empresas podem gerar um benefício potencial médio de até 10 dólares. O valor representa um aumento face aos 8 dólares indicados no relatório do ano anterior.
O retorno varia entre países. Na Ásia, a CDP indica retornos medianos mais elevados, com 9 dólares no Japão e 11 dólares na China. Na Europa, os retornos medianos são de 7 dólares na Alemanha, 8 dólares em França e 10 dólares no Reino Unido.
O relatório alerta, em paralelo, para o aumento dos custos da inação. A CDP estima que as perdas acumuladas associadas a riscos ambientais possam atingir 1,24 biliões de dólares até 2030. O valor poderá subir para 1,77 biliões de dólares até 2040, caso estes riscos não sejam adequadamente tratados.
“Compreender a resiliência nunca foi tão importante para as empresas que querem construir vantagem competitiva”, afirma Sherry Madera, CEO da CDP. E continua: “a diferença entre exposição e oportunidade está nos dados e na forma como as empresas os usam para informar decisões económicas positivas para o planeta”.
A responsável sublinha ainda que os retornos da ação são relevantes, mas que os custos do atraso também o são. “A nossa análise mostra que os retornos da ação são convincentes, mas também o são os custos do atraso. A divulgação de dados ambientais está rapidamente a tornar-se uma disciplina económica central para empresas de qualquer dimensão, setor e região construírem resiliência e desempenho”, sublinha a responsável.
A CDP assinala que a percentagem de empresas que reportam riscos ambientais substantivos aumentou de forma significativa, passando de 46% em 2018 para 80% em 2025. Além disso, 71% das empresas divulgaram quais as métricas financeiras mais expostas aos impactos materiais desses riscos.
A receita foi a métrica financeira mais referida, indicada por 47% das empresas. Para a CDP, este dado mostra que as implicações de não responder às alterações climáticas já são entendidas em termos financeiros.
Em 2025, mais de 23.100 empresas, cidades, estados e regiões divulgaram dados ambientais através da CDP.

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