Transição energética

Empresas veem eletrificação como fator de segurança energética e competitividade

Empresas veem eletrificação como fator de segurança energética e competitividade iStock

A maioria dos líderes empresariais inquiridos em 18 países considera que a transição para a eletrificação pode reforçar a segurança energética e a competitividade das empresas.

De acordo com um novo estudo da We Mean Business Coalition, E3G e Global Renewables Alliance, 91% dos responsáveis empresariais acreditam que a eletrificação melhoraria a segurança energética, enquanto 79% afirmam que a instabilidade geopolítica aumentou a urgência dos seus próprios esforços nesta área.

O inquérito ouviu quase 2000 executivos e analisou a perceção das empresas sobre a substituição de equipamentos dependentes de combustíveis fósseis por alternativas elétricas, incluindo fornos elétricos, bombas de calor e veículos.

A análise conclui ainda que os executivos apoiam uma transição rápida para sistemas menos dependentes de combustíveis fósseis. Entre os líderes empresariais ouvidos, 90% esperam que as suas operações estejam totalmente eletrificadas até 2035.

A recolha de dados foi realizada em abril, num período marcado por preocupações em torno do Estreito de Ormuz. O estudo surge após um relatório recente da Agência Internacional de Energia, segundo o qual os sucessivos choques energéticos estão a alterar as prioridades de investimento de governos e empresas.

Entre as restantes conclusões, 88% dos líderes empresariais consideram que a eletrificação tornaria as suas empresas mais competitivas. No entanto, 72% entendem que as políticas públicas estão atrasadas nesta área.

O estudo indica ainda que 62% dos inquiridos admitem ponderar a relocalização das suas operações caso os governos não ofereçam apoio suficiente aos esforços de eletrificação.

“As empresas operam hoje num panorama energético estruturalmente mais volátil, em que a dependência contínua dos combustíveis fósseis expõe empresas e economias a choques recorrentes”, afirmou Dimitri de Vreeze, CEO da dsm-firmenich.

E continua: “a transição para energias renováveis, e em particular a eletrificação com recurso a energia limpa, é a forma mais pragmática de reforçar a resiliência, melhorar a estabilidade dos custos e sustentar a competitividade. É uma vantagem clara para as pessoas, o planeta e o lucro”.

O estudo ouviu líderes de organizações médias e grandes em países como Austrália, Brasil, China, Colômbia, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Japão, Quénia, Nigéria, Filipinas, Polónia, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

José Manuel Entrecanales, chairman e CEO da ACCIONA, afirmou que esta “não é a primeira crise dos combustíveis fósseis, e não será a última”. O responsável defendeu que a dependência de combustíveis importados representa “uma vulnerabilidade estratégica” e “um encargo desnecessário” para a balança de pagamentos dos países que não produzem combustíveis fósseis.

“Ao mesmo tempo, o acesso a eletricidade abundante e acessível está a afirmar-se como uma vantagem competitiva decisiva. A eletrificação não é apenas uma transição energética; é uma estratégia industrial”, acrescentou José Manuel Entrecanales.

 

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