Transição energética

Bioenergia avançada reforça segurança energética e circularidade em Portugal

Bioenergia avançada reforça segurança energética e circularidade em Portugal iStock

A Associação de Bioenergia Avançada (ABA) defende que a bioenergia avançada pode contribuir para reforçar a segurança energética, valorizar resíduos e apoiar a descarbonização da mobilidade em Portugal. A posição é assumida a propósito do Dia Nacional da Energia, celebrado a 29 de maio, num contexto marcado por instabilidade geopolítica e escassez energética.

Segundo a associação, a produção de bioenergia avançada a partir de recursos endógenos pode reduzir a exposição do país à volatilidade dos mercados internacionais e reforçar a autonomia energética.

A nota de imprensa enviada às redações avança que, em 2023, a dependência energética nacional situou-se nos 66,7%, o segundo valor mais baixo dos últimos 20 anos. Em 2024, o saldo importador de produtos energéticos diminuiu 15,6%, para 5.747 milhões de euros.

A ABA considera que a diversificação do mix energético com soluções locais pode contribuir para reduzir a dependência de fornecedores externos, num contexto europeu em que a dependência energética levou à adoção de medidas extraordinárias e à necessidade de mudanças estruturais.

Outro eixo apontado pela associação é a valorização da economia circular. A bioenergia avançada assenta no aproveitamento de resíduos agrícolas, florestais, urbanos e industriais para produção de energia renovável. Subprodutos e excedentes que seriam descartados passam, assim, a integrar a cadeia de valor.

De acordo com a comunicação, em Portugal, em 2024, as matérias-primas avançadas passaram a dominar o setor, representando 68% da produção nacional e 84% das importações. Oleínas ácidas, resíduos agrícolas e florestais e subprodutos industriais são identificados como elementos centrais desta cadeia de valor. Mais de 90% dos biocombustíveis produzidos tiveram origem residual.

A associação sublinha que esta evolução permite valorizar resíduos e subprodutos, ao mesmo tempo que reduz a pressão sobre solos agrícolas e a concorrência com a produção alimentar.

Na mobilidade, a ABA destaca o papel dos biocombustíveis avançados na redução de emissões, indicando que estes permitem reduzir as emissões de CO₂ entre 84% e 97% face aos combustíveis fósseis. A solução é apontada como relevante para setores onde a eletrificação apresenta maiores limitações, como os transportes pesados, marítimos e aéreos.

Segundo o comunicado, os transportes são responsáveis por cerca de 26% das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) na União Europeia (UE) e por cerca de 25% em Portugal. Para segmentos em que a eletrificação não oferece ainda resposta suficiente, a associação destaca o desenvolvimento de moléculas de baixa intensidade carbónica associadas aos combustíveis sustentáveis para aviação e a biocombustíveis avançados como o HVO.

“Com um crescimento exponencial na produção para 66% durante 2024, segundo o Relatório ABA de 2025, o setor da bioenergia avançada tem conquistado um lugar de relevo entre as respostas aos momentos de flutuação de abastecimento energético”, afirma Ana Calhôa, Secretária-Geral da ABA.

A responsável defende que esta alternativa deve ser considerada “mais sustentável, imediata e renovável” para responder aos desafios atuais e futuros, contribuindo para “uma matriz energética mais sólida e diversificada” e valorizando matérias-primas que, de outro modo, seriam “descartadas e subaproveitadas”.

 

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