A experiência de vegetalização de 19 elementos de mobiliário urbano em Paris registou a ocupação de oito ninhos por chapins-pretos e chapins-azuis entre abril e maio de 2026, dando origem a cerca de 20 crias.
O balanço foi apresentado pela JCDecaux, em parceria com a Liga para a Proteção das Aves (Ligue pour la Protection des Oiseaux – LPO), no seguimento do Dia Internacional da Biodiversidade, que se celebra dia 22 de maio.
O projeto decorre desde abril de 2024 entre o Jardim do Luxemburgo e o Jardim das Plantas, em Paris, e integra uma estratégia de continuidade ecológica entre parques e áreas arborizadas. Segundo a informação divulgada, os 19 elementos de mobiliário urbano vegetalizados têm vindo a funcionar como microecossistemas, com presença de espécies vegetais, insetos e aves.
Desde 2024, as nidificações nos 17 ninhos instalados no percurso repetem-se e aumentam anualmente. No período entre abril e maio de 2026, oito ninhos foram ocupados por chapins-pretos ou chapins-azuis.
A componente vegetal dos equipamentos inclui várias espécies nectaríferas, selecionadas por uma equipa de ecólogos. Estes espaços atraíram 11 espécies polinizadoras identificadas, incluindo abelhas domésticas, abelhões e borboletas. De acordo com a empresa, estes resultados confirmam a atratividade ecológica das estruturas e a sua função como refúgios para biodiversidade em contexto urbano.
A iniciativa insere-se numa abordagem de adaptação do mobiliário urbano a novas funções ambientais, associadas à qualidade de vida nas cidades e à criação de corredores ecológicos em meio urbano. A experiência procura avaliar o contributo destas estruturas para a circulação e interação de insetos e aves entre zonas verdes.
Jean-Charles Decaux, presidente do Diretório e co-diretor-geral da JCDecaux, afirma que a vegetalização dos equipamentos foi “concebida por equipas de especialistas” e visa contribuir “para a proteção da biodiversidade, ao favorecer o desenvolvimento da vida no coração do espaço urbano”.
O responsável sublinha que os resultados mostram que “uma fauna e uma flora variadas estão a apropriar-se progressivamente destas estruturas, permitindo que insetos e aves circulem e interajam num ambiente favorável no coração da cidade, entre dois reservatórios de biodiversidade”.
Com base nos resultados já observados, a empresa indica que pretende prosseguir a iniciativa com a instalação de novos ninhos, nomeadamente em abrigos de passageiros já vegetalizados. Para Jean-Charles Decaux, “esta experiência demonstra que o mobiliário urbano pode tornar-se um verdadeiro elo da continuidade ecológica”.

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