Os veículos elétricos fabricados na China representaram 17% do mercado da União Europeia (UE) no primeiro trimestre deste ano, abaixo do pico de 22% registado em 2024, segundo uma análise da Transport & Environment (T&E).
A organização considera que a descida indica que as medidas comerciais adotadas para proteger os fabricantes europeus de automóveis estão a produzir efeitos. No entanto, alerta que as importações de baterias para veículos elétricos fabricadas na China, que “praticamente não estão sujeitas a tarifas”, aumentaram sete vezes.
Segundo a T&E, a queda nas vendas de veículos elétricos fabricados na China foi impulsionada, em parte, pela transferência de produção de fabricantes ocidentais, como Tesla, BMW e Volvo, para a Europa. A organização enquadra esta evolução nas medidas destinadas a evitar que a Europa se tornasse um destino excessivamente dependente de veículos elétricos chineses.
Os efeitos das tarifas variaram, contudo, consoante os fabricantes. A SAIC, sujeita a uma tarifa de importação de 35%, reduziu quase para metade as exportações de veículos elétricos a bateria para a Europa entre 2023 e 2025. Já a BYD, sujeita a uma tarifa de 17%, mais do que duplicou as importações de veículos elétricos a bateria para a UE.
Apesar da introdução de tarifas, os veículos elétricos chineses continuam cerca de 21% mais baratos do que os modelos dos fabricantes europeus.
A T&E refere ainda que os fabricantes chineses estão a relocalizar mais produção de veículos elétricos para a Europa. Desde que a Comissão Europeia iniciou a investigação antis subsídios, em 2023, foram planeadas e anunciadas dez fábricas.
A organização identifica, no entanto, um risco crescente na cadeia de valor das baterias. Segundo a publicação, os fabricantes europeus representam menos de um quarto das baterias produzidas na UE, o que deixa o setor perante um cenário de maior incerteza.
A T&E estima que a introdução de uma tarifa de 20% sobre baterias chinesas aumentaria o preço médio de um veículo elétrico fabricado na UE em 2,8%.
“As tarifas da UE funcionaram até certo ponto”, afirma Lucien Mathieu, diretor de automóveis da T&E. Segundo o responsável, “os fabricantes ocidentais transferiram a produção para a Europa e as fabricantes chinesas começaram a trazer a produção de volta” para o continente europeu.
Ainda assim, Lucien Mathieu alerta que “a competitividade das empresas europeias em tecnologia de veículos elétricos e baterias ainda está em risco”.
“As normas de emissões de CO₂ para automóveis são fundamentais para o desenvolvimento do mercado de veículos elétricos na Europa, mas se a UE quiser construir uma cadeia de fornecimento de baterias nacional robusta, será necessária uma combinação de incentivos e proteção”, acrescenta.

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