O projeto europeu UrbanAIR está a desenvolver ferramentas de previsão e planeamento urbano para ajudar cidades a compreender, antecipar e responder melhor aos riscos associados ao stress térmico, à poluição atmosférica e às alterações climáticas.
Financiado pelo programa Horizonte Europa, o UrbanAIR decorre até ao final de 2028 e é liderado por investigadores da Universidade Técnica de Delft, nos Países Baixos, em conjunto com outros 18 parceiros europeus. O projeto combina ciência climática, modelação da qualidade do ar e análise comportamental para produzir informação localizada sobre riscos urbanos.
A iniciativa pretende permitir que líderes municipais identifiquem pontos críticos de calor e poluição, bem como cenários futuros. Para isso, o projeto recorre a gémeos digitais, através dos quais as cidades poderão avaliar a eficácia de diferentes intervenções antes da sua implementação.
Segundo os parceiros do UrbanAIR, estas ferramentas poderão apoiar decisões baseadas em evidência sobre medidas como arborização urbana, políticas de zonamento, planeamento de transportes e investimento em infraestruturas.
Cada gémeo digital terá três áreas de foco: a adaptação de modelos atmosféricos globais ao nível local, a modelação do comportamento dos cidadãos e a avaliação de critérios humanos e naturais na tomada de decisão urbana.
“Isso torna o projeto não apenas desafiante, mas também único”, afirma Femke Vossepoel, professora de Simulação do Sistema Terrestre na TU Delft e coordenadora científica do UrbanAIR. E continua: “primeiro, trazemos modelos da atmosfera global para o nível local. Segundo, modelamos o comportamento dos cidadãos e, terceiro, avaliamos critérios humanos e naturais na tomada de decisões urbanas”.
Uma das características centrais do projeto é a atenção ao comportamento humano. A investigação avalia como os residentes urbanos reagem ao calor extremo, à má qualidade do ar e a outros problemas relacionados com o clima. Segundo os investigadores, esta dimensão poderá permitir intervenções mais direcionadas para populações vulneráveis.
Antuérpia e Barcelona funcionam como “Cidades de Ação” do UrbanAIR, onde as soluções estão a ser testadas e ajustadas em contextos urbanos reais. Paris, Bristol e Roterdão participam como “Cidades de Aprendizagem”, contribuindo para avaliar e transferir aprendizagens entre diferentes realidades urbanas.
“A ambição do UrbanAIR é levá-lo a um novo patamar”, afirmam Amineh Ghorbani e Tatiana Filatova, do departamento de Sistemas Multiatores da TU Delft. E continuam: “vamos conectar cenários de alterações climáticas com pesquisas junto a moradores urbanos para explorar quando e como mudam o seu comportamento para se adaptar ao stress térmico”.
Com esta abordagem, o UrbanAIR procura apoiar cidades europeias na definição de respostas mais localizadas a riscos climáticos, articulando dados ambientais, cenários climáticos e comportamento urbano.

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