A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima que há 86% de probabilidade de, entre 2026 e 2030, pelo menos um ano vir a ser mais quente do que 2024, atualmente o ano mais quente alguma vez registado.
O relatório, produzido para a OMM pelo Met Office do Reino Unido, aponta ainda para uma probabilidade de 75% de a temperatura média no período de cinco anos entre 2026 e 2030 ficar mais de 1,5°C acima da média pré-industrial.
O aviso surge num contexto de agravamento da crise climática, com as emissões de dióxido de carbono provenientes de combustíveis fósseis a continuarem a aumentar, retendo mais calor na atmosfera e contribuindo para fenómenos meteorológicos extremos.
Segundo a informação divulgada, o aquecimento global já estará associado à morte de uma pessoa por minuto, com a expectativa de aumento deste impacto caso as emissões não diminuam rapidamente.
Simon Stiell, responsável da ONU para o clima, afirmou que “a mais recente vaga de calor na Europa é um lembrete brutal dos impactos em espiral da crise climática, tanto humanos como económicos”. O responsável acrescentou que “muitas outras partes do mundo estão também a ser duramente atingidas, como a Índia e outras regiões da Ásia”.
Para Simon Stiell, “proteger vidas humanas, empresas e economias do calor extremo e dos muitos outros custos crescentes das alterações climáticas é uma atividade central para todos os países, e começa por abandonar a dependência dos combustíveis fósseis muito mais rapidamente”. O responsável assinalou ainda que a energia limpa é atualmente mais barata do que os combustíveis fósseis e mais rápida de produzir.
Os cientistas têm alertado repetidamente que um aquecimento superior a 1,5°C aumenta o risco de vagas de calor, secas, tempestades e cheias mais severas, dificultando a adaptação das comunidades. No entanto, o texto sublinha que cada fração de grau de aquecimento evitada reduz os danos.
A meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C face aos níveis pré-industriais é avaliada ao longo de um período de 20 anos, mas é agora considerada improvável. O objetivo menos ambicioso de 2°C continua ao alcance, caso sejam adotadas medidas urgentes. O relatório da OMM indica uma probabilidade inferior a 1% de qualquer ano entre 2026 e 2030 exceder 2°C acima da média pré-industrial.
As temperaturas globais deverão ser impulsionadas por um episódio de El Niño, padrão meteorológico natural e cíclico esperado até ao final do ano. A previsão mais recente da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos aponta para uma probabilidade de 96% de ocorrência de El Niño entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, e uma probabilidade de 35% de um super El Niño.
Os episódios de El Niño formam-se devido a alterações nos ventos no Oceano Pacífico, que levam à libertação para a atmosfera do calor armazenado no oceano. Leon Hermanson, autor principal do relatório da OMM, afirmou que “há um El Niño previsto para o final de 2026, o que aumenta as probabilidades de o ano seguinte, 2027, ser o próximo ano recorde”.
O relatório prevê que os próximos cinco invernos no Ártico fiquem 2,8°C acima das médias recentes, o que significa que a região está a aquecer mais de três vezes mais depressa do que a média global.
O relatório inclui ainda previsões de precipitação. Norte da Europa, Sahel, Alasca e Sibéria deverão registar níveis de precipitação acima do habitual entre maio e setembro nos próximos cinco anos, enquanto a Amazónia deverá apresentar condições mais secas.

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