O Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) retomou 233 065 toneladas de resíduos de embalagens para reciclagem, através da recolha seletiva, no primeiro semestre de 2026. O valor representa um crescimento de 0,9% face ao período homólogo de 2025, apontando para uma estagnação na evolução do fluxo.
De acordo com o comunicado de imprensa, os dados oficiais do SIGRE mostram desempenhos distintos por material. O papel e cartão atingiu 82 255 toneladas, com um crescimento de 4,8%, enquanto a madeira registou 1650 toneladas, mais 13,5% do que no mesmo período do ano anterior.
Estes aumentos não foram suficientes para compensar quebras noutros materiais. A recolha seletiva de plástico fixou-se em 40 031 toneladas, menos 6,6%, o equivalente a uma redução de 2814 toneladas. O aço caiu 3,3%, para 3690 toneladas, e as embalagens de cartão para alimentos líquidos desceram 1,2%, para 3997 toneladas.
O vidro manteve-se como o material com maior volume recolhido, com 100 343 toneladas, mas registou um crescimento marginal de 1,0%.
Segundo a nota de imprensa, a evolução dos resíduos de embalagens assume relevância face às metas obrigatórias de reciclagem e ao processo de infração aberto por Bruxelas por incumprimento de metas anteriores. O desempenho do plástico e do vidro surge como um dos pontos de pressão, tendo em conta as quebras ou crescimentos reduzidos registados no primeiro semestre.
“Não podemos ignorar estes números. Estamos perante um sinal claro de que o país precisa de acelerar o passo. Atingir as metas não é uma opção, é um dever coletivo, e estes dados mostram que ainda há muito caminho por fazer”, afirma Pedro Simões, diretor-geral da Novo Verde.
O responsável defende que a evolução dos indicadores exige mais informação, melhores condições de participação e maior colaboração entre entidades, operadores, empresas e cidadãos.
“A mudança começa na atitude de cada um, mas exige também uma resposta consistente de todos. É urgente aproveitar o investimento e os recursos disponíveis para que os Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos se capacitem de tecnologia e de mecanismos que aumentem a captação dos resíduos de embalagens para reciclagem”, acrescenta.
Perante estes resultados, a Novo Verde aponta a sensibilização e a inovação como áreas prioritárias para reforçar a recolha seletiva e aumentar a captação de embalagens para reciclagem.
A entidade refere projetos de literacia ambiental dirigidos à comunidade escolar e centros de sensibilização, bem como iniciativas técnicas orientadas para melhorar a eficiência da recolha, nomeadamente estudos sobre o contentor amarelo e sobre a reciclagem de plásticos.
Para a entidade gestora, acelerar o progresso depende de tornar a reciclagem mais próxima, compreendida e acessível no quotidiano dos cidadãos, bem como de reforçar a articulação entre municípios, empresas, operadores e sistemas de gestão de resíduos urbanos.

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