A redução dos custos da tecnologia elétrica está a alterar o modelo de acesso à energia, tornando as energias renováveis uma alternativa viável para países com economias de menor capacidade financeira.
Segundo um relatório do think tank Ember, a evolução tecnológica está a criar condições para levar soluções como energia solar, armazenamento em baterias e tecnologias elétricas a mais de 700 milhões de pessoas que ainda não têm acesso à eletricidade.
O estudo destaca que o modelo tradicional, assente em combustíveis fósseis, não conseguiu responder às necessidades das economias emergentes. Nos 74 países do Fórum de Países Vulneráveis às Alterações Climáticas (CVF), que representam mais de um quinto da população mundial, o peso económico e o consumo de eletricidade mantêm-se reduzidos, com menos de 5% do PIB global e da procura energética.
“O modelo convencional de desenvolvimento baseado em combustíveis fósseis não conseguiu atingi-los em larga escala”, refere o relatório, apontando limitações estruturais como custos elevados, dependência de importações e necessidade de infraestruturas centralizadas.
De acordo com a Ember, a atual descida de custos da tecnologia elétrica está a inverter esta tendência. A energia solar, que há uma década exigia investimentos iniciais até cinco vezes superiores aos dos combustíveis fósseis, apresenta agora menores necessidades de capital. Em paralelo, soluções descentralizadas, como sistemas solares com baterias fora da rede, mostram-se mais competitivas do que a expansão da rede elétrica em regiões remotas.
“A diferença hoje é que existe um caminho de desenvolvimento alternativo viável: a tecnologia elétrica agora é mais barata, amplamente disponível, facilmente escalável e oferece a perspetiva de independência e abundância energética para impulsionar o crescimento”, afirma Daan Walter, diretor da Ember Futures.
A evolução tecnológica tem sido acompanhada por uma redução significativa de custos em equipamentos elétricos de uso final, como bombas de calor e mobilidade elétrica, com descidas entre 30% e 95% na última década.
No contexto europeu, a aposta nas energias renováveis também tem contribuído para ganhos económicos. Uma análise da SolarPower Europe indica que a produção solar permitiu poupanças superiores a 100 milhões de euros por dia desde 1 de março, totalizando mais de 3 mil milhões de euros.
O relatório enquadra estas dinâmicas numa mudança estrutural no sistema energético global, em que a eletrificação baseada em fontes renováveis surge como alternativa ao modelo tradicional, com impacto na segurança energética e na redução da dependência de combustíveis fósseis.

iStock
