Um em cada 10 consumidores já escolhe produtos em segunda mão como primeira opção de compra, segundo dados da KPMG citados pelo Retail Gazette, evidenciando a crescente relevância do chamado “recommerce” no setor do retalho.
O estudo indica uma mudança progressiva nos hábitos de consumo, com os artigos usados a deixarem de ser uma alternativa residual para passarem a integrar decisões de compra regulares. Esta tendência está alinhada com um contexto de maior sensibilidade ao preço e procura por valor, fatores que têm vindo a influenciar o comportamento dos consumidores.
A evolução do mercado de segunda mão reflete também uma transformação estrutural no retalho, suportada por fatores como o aumento do custo de vida e a maior aceitação social deste tipo de consumo. Estudos recentes apontam que a compra e venda de produtos usados está a tornar-se uma prática generalizada, com cerca de 71% dos consumidores a participar neste mercado ao longo de um ano.
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Além do preço, a sustentabilidade surge como outro driver relevante. A extensão do ciclo de vida dos produtos e a redução do desperdício têm contribuído para reforçar a atratividade do recommerce junto dos consumidores, bem como para impulsionar iniciativas por parte dos retalhistas, incluindo programas de retoma e revenda.
O crescimento deste segmento está também a levar marcas e retalhistas a integrar ofertas de segunda mão nas suas operações, seja através de plataformas próprias ou de parcerias, numa tentativa de capturar novas fontes de receita e responder à procura crescente.
Este cenário aponta para uma consolidação do mercado de usados como componente estrutural do retalho, com impacto direto nas estratégias comerciais, de pricing e de sustentabilidade das empresas do setor.

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