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IA física vai reconfigurar colaboração entre pessoas e sistemas autónomos

IA física vai reconfigurar colaboração entre pessoas e sistemas autónomos iStock

A inteligência artificial (IA) está a entrar numa nova fase, marcada pela passagem do ambiente digital para sistemas físicos capazes de atuar em fábricas, infraestruturas e serviços críticos.

A conclusão consta do relatório “A transição da IA digital à IA física”, da Deloitte, que aponta a robótica industrial inteligente, os robôs humanoides e os drones autónomos como os três principais vetores desta transformação.

Segundo o estudo, depois de vários anos centrada na automação de processos, analítica avançada, modelos generativos e assistentes inteligentes, a IA começa agora a “materializar-se no mundo físico”. Esta evolução deverá ter impacto não apenas na eficiência, mas também na resiliência operacional, segurança, soberania tecnológica e competitividade económica.

A Deloitte sublinha que a adoção da IA física levanta desafios que não são apenas tecnológicos. Entre os principais riscos identificados estão a integração com sistemas industriais legados, a fragmentação e qualidade dos dados operacionais, a cibersegurança, a segurança funcional, os aspetos regulatórios, a responsabilidade e o impacto na força de trabalho e nos modelos de operação.

O relatório defende que estes obstáculos são, sobretudo, desafios de governação, arquitetura, talento e mudança organizacional. Nesse sentido, a preparação das equipas surge como uma condição relevante para que as organizações consigam transformar a inovação tecnológica em valor sustentável.

Na robótica industrial, a Deloitte identifica uma mudança de escala associada à combinação entre escassez estrutural de mão de obra, pressão para relocalizar cadeias de produção, exigências crescentes de segurança e avanços em IA. Estes fatores estão a criar condições para uma nova vaga de adoção mais flexível, inteligente e transversal a vários setores económicos.

A integração de IA nos sistemas físicos permite que os robôs deixem de depender exclusivamente de regras e sequências pré-definidas. De acordo com o relatório, os novos sistemas robóticos podem perceber o ambiente físico em tempo real, interpretar linguagem natural e instruções de alto nível, planear ações, adaptar comportamentos e aprender através de simulação e experiência. Esta evolução reduz o esforço de implementação e aumenta a reutilização dos sistemas.

No caso dos robôs humanoides, o racional identificado pela Deloitte é menos futurista e mais operacional. O relatório nota que grande parte das fábricas, armazéns e infraestruturas foi concebida para trabalhadores humanos, incluindo escadas, portas, ferramentas, equipamentos e interfaces. Robôs com forma humana podem, por isso, operar em espaços já desenhados para pessoas, utilizar ferramentas existentes e facilitar uma automação progressiva sem grandes alterações estruturais.

Os drones autónomos são apresentados como outra expressão da IA física, ao transportarem a IA para contextos distribuídos, dinâmicos e de difícil acesso.

Segundo a Deloitte, estes sistemas estão a evoluir de plataformas de captação de imagem controladas remotamente para soluções semi-autónomas ou autónomas, capazes de navegar, evitar obstáculos, cooperar entre si e tomar decisões no terreno. As aplicações referidas incluem energia e utilities, agricultura, proteção civil, resposta a emergências, infraestruturas de transporte e logística.

Para as organizações, o estudo aponta quatro condições de preparação: definição de casos de uso claros, integração com objetivos de negócio, segurança desde a origem e preparação da força de trabalho. A Deloitte considera que a questão já não é saber se a robótica inteligente e a IA física vão ganhar escala, mas como e quando cada organização se posiciona nesta transição.

O relatório conclui que a transformação deverá ser progressiva, disciplinada e cumulativa. A IA física “não substituirá pessoas indiscriminadamente”, mas irá “reconfigurar a forma como humanos e sistemas autónomos colaboram, redefinindo produtividade, segurança e resiliência”.

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