O tema escolhido para assinalar o Dia Internacional de Segurança e Saúde no Trabalho — “Garantir ambientes de trabalho saudáveis e bem-estar psicossocial”, celebrado a 28 de abril — evidencia, uma vez mais, a necessidade de sensibilizar para uma dimensão da segurança e saúde no trabalho que ainda não tem recebido a devida atenção.

Filipa Palha – Presidente da ASM – Aliança Portuguesa para a Promoção da Saúde Mental no Local de Trabalho
Apesar de a promoção de ambientes trabalho saudável e da saúde mental no local de trabalho ser, há muito, reconhecido como prioridades, nem sempre se vê traduzidas em práticas concretas nas organizações. Assim, ao longo dos anos, os riscos psicossociais no trabalho ganharam uma relevância crescente, estimando-se que venham a superar muitos outros riscos profissionais no seu impacto sobre a saúde, as lesões, a incapacidade e os custos — tanto diretos como indiretos —, além de prejudicarem o desempenho das empresas e a produtividade a nível nacional (Schulte et al, 2020).
Promover ambientes de trabalho saudáveis, cuidar do bem-estar psicossocial, e gerir riscos psicossociais é inovação organizacional.
Neste contexto, esperar que os efeitos se manifestem plenamente para só então agir revela-se insuficiente e potencialmente prejudicial, tornando essencial uma abordagem preventiva e antecipatória face aos fatores que moldam o trabalho e afetam a/os trabalhadora/es. A evidência aponta de forma clara para a origem predominantemente organizacional destes problemas, associando-os a aspetos como exigências elevadas, reduzida autonomia, indefinição de funções, instabilidade laboral e ambientes que toleram comportamentos inadequados.
Por isso, as respostas mais eficazes passam por intervenções ao nível do próprio sistema organizacional — ajustando a forma como o trabalho é concebido, distribuído e liderado — e não apenas por estratégias centradas nas pessoas. Integrar os riscos psicossociais nos processos formais de avaliação e gestão, à semelhança do que já acontece com outros riscos ocupacionais, é um passo fundamental para uma prevenção consistente.
Porque transforma a forma como as organizações pensam, lideram e previnem.
Medidas como a adequação das cargas de trabalho, a promoção da participação da/os trabalhadora/es, a organização flexível do tempo e a clarificação de responsabilidades têm efeitos diretos no ambiente organizacional, contribuindo para relações mais equilibradas e maior bem-estar. Ao atuarem sobre as causas estruturais, estas intervenções produzem benefícios duradouros, reforçando a cooperação, a confiança e o compromisso.
Em última análise, prevenir riscos psicossociais traduz-se em melhorar a qualidade da gestão e em construir organizações mais saudáveis, sustentáveis e produtivas.

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