Quase dois quintos das organizações enfrentam dificuldades em transformar metas climáticas em resultados concretos, num contexto de crescente adoção de inteligência artificial (IA) e tecnologias digitais, segundo um estudo da BearingPoint, empresa internacional de consultoria de gestão e tecnologia.
De acordo com o relatório “Achieving environmental goals in the AI era”, 37% das organizações inquiridas reportam atrasos no cumprimento dos seus objetivos ambientais, apesar de 95% já terem assumido compromissos climáticos ou planos estruturados.
O estudo identifica uma “lacuna crescente” entre ambição e execução operacional, num cenário em que as equipas tecnológicas enfrentam o desafio de utilizar a inovação digital para apoiar metas ambientais, ao mesmo tempo que gerem o aumento do consumo de energia e recursos associado à própria tecnologia.
“Muitas organizações estabeleceram metas climáticas ambiciosas, mas transformar esses compromissos em realidade operacional continua a ser um desafio”, afirmou Matthias Roeser, especialista em tecnologia da BearingPoint, acrescentando que “a IA está a emergir como um facilitador da sustentabilidade e, ao mesmo tempo, como uma nova fonte de emissões, exigindo maior governança e mensuração”.
O estudo revela também limitações ao nível da integração estratégica. Apenas 36% das empresas indicam ter alinhado totalmente as suas estratégias de tecnologia e sustentabilidade, enquanto 40% dos CIOs e CTOs referem não estar envolvidos nas decisões relacionadas com sustentabilidade.
A disponibilidade de dados e ferramentas é outro dos obstáculos identificados. Apenas 33% dos inquiridos afirmam dispor de informação suficiente sobre fornecedores para apoiar compromissos de redução de emissões, e metade das organizações admite não ter ferramentas adequadas para gerir os seus objetivos de sustentabilidade.
Apesar de atualmente o peso das tecnologias digitais no consumo energético total das organizações ser inferior a 5%, espera-se que este valor aumente com a expansão da IA.
O relatório aponta ainda para uma tendência crescente de adoção de plataformas digitais dedicadas a ESG, com 67% dos inquiridos a considerar que estas soluções serão essenciais para a gestão da sustentabilidade até 2030.
O estudo baseia-se num inquérito realizado em fevereiro de 2026 a 510 executivos seniores na Europa e nos Estados Unidos da América (EUA), de setores como finanças, indústria, retalho e tecnologia.

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