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Fatores sociais e de saúde são decisivos na redução da mortalidade por poluição atmosférica

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A redução da pobreza e a melhoria do acesso a cuidados de saúde desempenharam um papel determinante na diminuição das mortes associadas à poluição atmosférica nas últimas décadas, segundo um estudo do Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI) da Universidade de York, publicado na revista The Lancet Planetary Health.

De acordo com a investigação, 52% da redução global das taxas de mortalidade relacionadas com a poluição do ar entre 1990 e 2019 resultou da diminuição da vulnerabilidade das populações, incluindo melhores serviços de saúde e redução da pobreza, e não apenas da redução das emissões.

O estudo indica ainda que, sem estes fatores, considerados “escudos não intencionais”, mais 1,7 milhões de pessoas teriam morrido em 2019 devido a causas associadas à poluição atmosférica.

Segundo Chris Malley, autor principal do estudo, “embora a purificação do ar continue a ser um objetivo crucial, as nossas conclusões demonstram que a redução das emissões é apenas parte da solução”.

O investigador acrescenta que “para melhorar a saúde pública, também devemos concentrar-nos nos fatores que tornam as pessoas suscetíveis a danos”, defendendo a integração de políticas de saúde e combate à pobreza nas estratégias de qualidade do ar.

A investigação sublinha que o risco associado à poluição atmosférica depende não só da exposição, mas também de fatores socioeconómicos e de saúde, como doenças pré-existentes, hábitos de tabagismo e acesso a cuidados médicos. Em algumas regiões, mesmo com níveis elevados de poluição, as taxas de mortalidade diminuíram devido à redução destes fatores de vulnerabilidade.

Entre 1990 e 2019, a taxa de pobreza global caiu de 45% para 21%, contribuindo para mitigar os impactos da poluição na saúde. Paralelamente, medidas de saúde pública, como a redução da obesidade e do tabagismo, também contribuíram para a diminuição da mortalidade.

A análise regional mostra que, embora a Europa e América do Norte tenham registado reduções semelhantes na exposição à poluição atmosférica, a queda da mortalidade foi quase duas vezes superior na Europa, refletindo maior progresso na redução da vulnerabilidade social e na melhoria dos sistemas de saúde.

Os responsáveis pelo estudo concluíram que as estratégias de qualidade do ar devem evoluir para integrar intervenções que atuem sobre determinantes de saúde não diretamente ligados à poluição, complementando as políticas tradicionais centradas na redução das emissões.

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