Transição energética

Portugal pode atingir neutralidade energética até 2040 com redução de 39% no consumo

Portugal pode atingir neutralidade energética até 2040 com redução de 39% no consumo iStock

Portugal pode alcançar emissões energéticas líquidas nulas até 2040, reduzindo a procura de energia em 39% e assegurando um sistema baseado exclusivamente em fontes renováveis, segundo o relatório “Energia para viver melhor: Roteiro para uma energia suficiente, eficiente e 100% renovável até 2040 na Península Ibérica”, da a Greenpeace.

O estudo, desenvolvido pelo Institute for Sustainable Futures da Universidade Tecnológica de Sydney para a Greenpeace, analisa cenários para a transição energética e propõe um modelo assente em três eixos: suficiência, eficiência e energias renováveis. Este modelo permitiria antecipar em dez anos a meta de neutralidade climática definida pela Comissão Europeia.

De acordo com o relatório, a redução da procura energética seria alcançada através de medidas de eficiência e de mudança nos padrões de consumo, com impactos diferenciados por setor. O documento aponta para uma redução de 72% no setor dos transportes, 26% na indústria e 20% nos edifícios.

A proposta indica ainda que a transição energética poderá gerar uma poupança anual de cerca de 7 mil milhões de euros em Portugal, resultante da diminuição dos custos com combustíveis e com a produção de eletricidade e calor, em comparação com a manutenção das políticas atuais.

Para Toni Melajoki Roseiro, Diretor da Greenpeace Portugal, “Portugal não pode continuar refém de contextos geopolíticos instáveis nem de superpotências que controlam os combustíveis fósseis”, acrescentando que “é tecnicamente viável e economicamente sensato alcançar a neutralidade climática até 2040”.

O responsável sublinha ainda que “temos sol, vento e tecnologia. O que nos falta é a coragem política para acelerar este calendário”.

O relatório destaca também que o modelo proposto permite cumprir o Acordo de Paris, mantendo o sistema energético dentro do orçamento de carbono, e reduzindo os impactos das alterações climáticas sem recurso a energia nuclear ou a tecnologias de captura e armazenamento de carbono.

No que respeita ao uso de recursos, o estudo indica que a combinação de suficiência e reciclagem poderá limitar a pressão sobre minerais críticos. Apesar de a procura de lítio poder aumentar até 4,7 vezes até 2040, este crescimento seria cerca de 75% inferior ao registado num cenário sem estas medidas.

Em termos territoriais, a implementação de energias renováveis é apontada como compatível com a proteção da biodiversidade e da soberania alimentar, prevendo-se uma redução da ocupação de solo em 120 mil hectares na Península Ibérica face a cenários sem medidas de suficiência.

O relatório defende ainda que a transição energética deve garantir o acesso universal à energia como um direito básico, contribuindo para reduzir a pobreza energética e melhorar o conforto térmico das habitações.

Segundo Toni Melajoki Roseiro, “a transição não é um custo, é um investimento com retorno imediato”, acrescentando que este modelo pode contribuir para estabilizar preços e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

A Greenpeace considera que a adoção deste modelo permitiria reforçar a segurança energética e reduzir a exposição a contextos geopolíticos, ao mesmo tempo que promove uma melhoria das condições de vida e do desempenho ambiental.

 

Não perca informação: Subscreva as nossas Newsletters

Subscrever