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Políticas energéticas aceleram a nível global após sucessivas crises, indica relatório da AIE

Políticas energéticas aceleram a nível global após sucessivas crises, indica relatório da IEA iStock

A Agência Internacional de Energia (AIE) identificou uma intensificação “sem precedentes” na formulação de políticas energéticas a nível global, impulsionada por “choques sucessivos” nos últimos cinco anos, com impacto direto na segurança, resiliência e acessibilidade da energia.

De acordo com o relatório State of Energy Policy 2026, que analisa alterações registadas em 2025, os governos aumentaram significativamente a despesa pública no setor, que mais do que duplicou desde 2019, ultrapassando os 405 mil milhões de dólares em 2025.

O estudo acompanhou mais de 6.500 medidas políticas em 84 países, cobrindo mais de 200 áreas, incluindo investimento público, regulação, acesso à energia e compromissos climáticos.

A maior parte do investimento tem sido canalizada para infraestruturas energéticas, produção industrial avançada, energias renováveis, eficiência energética e incentivos à substituição de combustíveis. Mesmo antes do impacto mais recente do conflito no Médio Oriente, a AIE projetava que este nível de despesa se manteria até 2030.

O relatório destacou também as lições da crise energética de 2022, associada à invasão da Ucrânia pela Rússia. Dos cerca de 220 mil milhões de dólares mobilizados para apoiar consumidores nesse ano, apenas um quarto foi direcionado para os agregados mais vulneráveis, aumentando o peso orçamental das medidas.

Em paralelo, 30 países, representando mais de 40% das importações de gás natural, reforçaram os requisitos de armazenamento, criando novos mecanismos de resposta de emergência.

A concentração das cadeias de abastecimento de minerais críticos e tecnologias energéticas surge como outro fator de risco crescente. Cerca de um terço das políticas relacionadas com minerais críticos foram introduzidas nos últimos cinco anos, muitas em resposta ao aumento de restrições à exportação de matérias-primas essenciais para o setor energético.

“A política energética está a ser moldada por um conjunto complexo e em evolução de constrangimentos globais”, afirmou Laura Cozzi, diretora de Sustentabilidade, Tecnologia e Outlooks da AIE. E continua: “os governos estão a agir para proteger os consumidores, reforçar a resiliência e garantir o abastecimento, mas devem também assegurar que as respostas de curto prazo não comprometam os objetivos energéticos de longo prazo. As escolhas feitas hoje poderão ter implicações duradouras no futuro dos sistemas energéticos”.

O documento assinalou ainda uma mudança no ritmo das políticas de eficiência energética e substituição de combustíveis. Apesar de 15 países terem reforçado padrões de eficiência, verificou-se uma tendência mais ampla de adiamentos e recuos regulatórios, sobretudo no transporte rodoviário, o que poderá expor empresas e consumidores a maior volatilidade de preços no futuro.

A AIE sublinhou que a atual crise energética, associada ao conflito no Médio Oriente, poderá desencadear uma nova fase dinâmica de políticas públicas, com paralelismos com as respostas às crises petrolíferas da década de 1970.

 

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