A eficiência energética está a ser encarada pelas empresas como um fator estratégico de competitividade industrial, mas a capacidade para investir e implementar medidas continua a variar significativamente consoante a dimensão das organizações.
A conclusão resulta de uma nova análise ao Inquérito de Competitividade Industrial da Agência Internacional de Energia (AIE) de 2025, que abrangeu mil empresas em 14 países.
Segundo a AIE, quase 80% das empresas inquiridas reconhecem o valor da eficiência energética para reforçar a competitividade. A perceção é ainda mais forte em setores em que a energia representa uma fatia relevante dos custos totais, como siderurgia, química e mineração.
A análise mostra que a eficiência energética é vista não apenas como uma via para reduzir custos, mas também como uma forma de proteger a produtividade, gerir riscos e reforçar a posição das empresas nos mercados globais.
Quando confrontadas com o aumento dos custos de energia, quase 40% das lideranças empresariais apontaram a eficiência energética como a principal resposta, à frente do investimento em energias renováveis no local.
Ainda assim, a intenção nem sempre se traduz em ação. Quase 30% das empresas indicaram que, perante flutuações nos preços da energia, optaram por reduzir a produção ou repercutir os custos nos clientes, medidas que a AIE assinala como potencialmente prejudiciais para a competitividade.
O estudo identifica uma diferença clara entre grandes empresas e pequenas e médias empresas (PME). As organizações com mais de 5.000 trabalhadores registaram a taxa mais elevada de implementação em todas as medidas de eficiência energética avaliadas, incluindo otimização de processos e investimento em tecnologias digitais. Já entre as PME, entre 40% e 80% referiram não ter conseguido implementar qualquer melhoria de eficiência.
Essa diferença tem reflexos nos resultados, enfatiza a análise. As empresas com menos de 100 trabalhadores reportaram uma poupança média de cerca de 12% com ações de eficiência, enquanto nas empresas de maior dimensão a média se aproximou dos 20%. De acordo com a AIE, os recursos financeiros e humanos mais limitados, bem como abordagens menos formalizadas à gestão de energia, reduzem a capacidade das empresas mais pequenas para identificar e concretizar melhorias.
A análise destaca ainda que os benefícios da eficiência energética vão além da poupança direta. Mais de metade das empresas inquiridas indicaram reduções nos custos operacionais e de manutenção, ganhos de produtividade, maior resiliência às oscilações dos preços da energia e melhoria da reputação da marca. Quase metade referiu também impacto elevado no acesso ao mercado interno, nas vendas para exportação e na captação de novos clientes e financiamento.
De acordo com o relatório, também neste ponto a dimensão empresarial pesa. Dois terços das empresas com faturação anual entre mil milhões e cinco mil milhões de dólares afirmaram que as medidas de eficiência tiveram elevado impacto na produtividade, face a 43% das empresas com faturação inferior a 100 milhões de dólares.
Entre os setores analisados, a mineração surge como um dos exemplos mais expressivos. Com a energia a representar tipicamente entre 20% e 40% das despesas operacionais, as empresas do setor reportaram o maior impacto percebido das medidas de eficiência no reforço da competitividade.
A AIE destaca em particular os casos da Índia e da Indonésia, onde a dependência de geração elétrica a diesel fora da rede torna especialmente valiosa a redução da intensidade energética.
Perante este cenário, a agência defende um papel ativo dos governos no desenho de políticas públicas que apoiem empresas de diferentes dimensões. Entre as recomendações constam a combinação de regulação, informação e incentivos financeiros, a adaptação das medidas às necessidades de cada segmento empresarial e o recurso a orientações internacionais já testadas.

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