Transição energética

Relatório da ONU alerta para atraso na eficiência energética do setor dos edifícios

Relatório da ONU alerta para atraso na eficiência energética do setor dos edifícios iStock

O progresso global na eficiência energética dos edifícios abrandou de forma acentuada desde 2020, num contexto em que a nova construção continua a crescer mais depressa do que os esforços para reduzir o consumo de energia e as emissões.

A conclusão consta do Global Status Report for Buildings and Construction 2025-2026, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) e pela Global Alliance for Buildings and Construction.

Segundo o relatório, o setor dos edifícios e da construção continua a ser uma das maiores fontes globais de emissões e de procura energética. Os edifícios e a construção representam 37% das emissões globais de gases com efeito de estufa (GEE) e 28% do consumo global de energia, além de consumirem quase metade dos materiais extraídos a nível mundial.

A análise indica que a intensidade energética global dos edifícios, que mede o uso de energia em relação à área construída, melhorou 8,5% desde 2015. As certificações de edifícios sustentáveis quase triplicaram no mesmo período. Ainda assim, estes ganhos não acompanham o ritmo de crescimento da atividade de construção, sobretudo em economias emergentes, incluindo a Índia e países do Sudeste Asiático.

Área construída aumenta 1,7% em 2024
A área global de edifícios cresceu 1,7% em 2024, atingindo 273 mil milhões de metros quadrados. A nível mundial, estão a ser acrescentados cerca de 12,7 milhões de metros quadrados de nova área construída por dia.

O relatório sublinha que este crescimento coloca pressão adicional sobre a trajetória climática do setor. Apesar dos avanços registados na eficiência energética e nas certificações ambientais, a expansão da construção está a limitar o impacto das melhorias alcançadas.

O investimento em eficiência energética nos edifícios atingiu 275 mil milhões de dólares em 2024, elevando o investimento acumulado desde 2015 para 2,3 biliões de dólares. No entanto, segundo o relatório, o investimento anual teria de mais do que duplicar, para cerca de 592 mil milhões de dólares até 2030, para manter o setor alinhado com uma trajetória de emissões líquidas nulas.

Renováveis ainda abaixo do necessário
As energias renováveis asseguraram 17,3% da procura energética dos edifícios em 2024. O relatório considera este valor insuficiente face ao nível necessário para cumprir as metas climáticas.

Inger Andersen, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, afirma que os governos têm uma oportunidade relevante para influenciar as emissões futuras associadas ao setor.

“Das casas e escolas aos hospitais e locais de trabalho, os edifícios desempenham um papel fundamental nas nossas vidas. Os edifícios podem bloquear riscos climáticos ou proporcionar condições de vida mais seguras, saudáveis e acessíveis. Com metade dos edifícios do mundo ainda por construir ou renovar até 2050, os governos têm uma oportunidade crítica para impulsionar uma construção resiliente e de emissões zero através de melhores políticas, códigos e investimento”, refere.

O relatório aponta, assim, para a necessidade de reforçar políticas públicas, códigos de construção e investimento, de forma a aproximar o setor dos edifícios e da construção de uma trajetória compatível com os objetivos climáticos.

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