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Estudo conclui que só 13 países no mundo cumprem níveis seguros de qualidade do ar. Três são europeus

Estudo conclui que só 13 países no mundo cumprem níveis de ar seguro. Três são europeus iStock

A qualidade do ar continua a deteriorar-se a nível global, com apenas 14% das cidades a registarem níveis considerados seguros, de acordo com o mais recente World Air Quality Report 2025, da IQAir.

O estudo, que analisou dados de 9.446 cidades em 143 países, regiões e territórios, aponta as alterações climáticas induzidas por atividade humana como principal fator agravante.

O relatório indica que fenómenos como o fumo de incêndios florestais, tempestades de poeira e eventos meteorológicos extremos, intensificados pela utilização de combustíveis fósseis, contribuíram de forma significativa para o agravamento da poluição atmosférica em 2025.

Na Europa, o pior ano de incêndios florestais já registado resultou em perdas económicas de pelo menos 43 mil milhões de euros, associadas a ondas de calor, cheias e secas.

A concentração de partículas finas (PM2.5), associadas a doenças respiratórias, cardiovasculares e cancro, continua a ser um dos principais indicadores de risco.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece um limite anual de 5 microgramas por metro cúbico (µg/m³), mas apenas três países europeus (Andorra, Estónia e Islândia) cumpriram este valor em 2025. Globalmente, apenas 13 países e territórios ficaram dentro dos limites recomendados, o que significa que 91% dos países analisados excederam os níveis seguros.

Os dados revelam também uma concentração geográfica significativa da poluição mais severa. As 25 cidades mais poluídas do mundo localizam-se exclusivamente na Índia, Paquistão e China. A cidade de Loni, no norte da Índia, registou uma concentração média anual de PM2.5 de 112,5 µg/m³, mais de 22 vezes acima do limite da OMS.

Na Europa, a evolução foi desigual. Em 2025, 23 países registaram aumentos na concentração média anual de PM2.5, enquanto 18 apresentaram reduções. A Suíça e a Grécia destacaram-se pelos aumentos superiores a 30%, associados ao transporte de fumo de incêndios da América do Norte e poeiras do Saara.

Em contraste, Malta registou uma redução de quase 24%, atribuída à transição energética para fontes renováveis e a políticas de redução de emissões do tráfego.

Dados em tempo real indicam ainda episódios críticos recentes. No momento da análise, cidades como Paris e Londres figuravam entre as mais poluídas a nível global.

Apesar de algumas melhorias regionais, com 75 países a registarem reduções nos níveis de PM2.5, persistem lacunas significativas na monitorização da qualidade do ar. A IQAir alerta que apenas uma fração da população mundial tem acesso a dados locais em tempo real.

Segundo o CEO global da IQAir, Frank Hammes, “sem monitorização, não conseguimos compreender plenamente o que está no ar que respiramos”. O responsável sublinha que a expansão do acesso a dados em tempo real é essencial para capacitar comunidades e apoiar decisões que reduzam emissões e mitiguem o impacto das alterações climáticas na qualidade do ar.

 

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