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Desconexão emocional dos colaboradores coloca pressão sobre custos operacionais das empresas

O fenómeno do quiet cracking está a ganhar expressão nas empresas e é apontado pela Eurofirms como um risco para a produtividade, com impacto no desempenho das equipas, no absentismo, na rotatividade e nos custos operacionais. iStock

O fenómeno do quiet cracking está a ganhar expressão nas empresas e é apontado pela Eurofirms como um risco para a produtividade, com impacto no desempenho das equipas, no absentismo, na rotatividade e nos custos operacionais. Segundo a análise divulgada pela empresa, a quebra de envolvimento dos colaboradores já representa 9% do PIB mundial em perdas de produtividade.

Depois do quiet quitting, o quiet cracking é descrito como uma fase mais avançada de desconexão emocional. Neste estado, o colaborador mantém-se em funções e cumpre o seu papel, mas entra num processo progressivo de rutura interna, afastando-se da organização sem que isso seja imediatamente visível.

O risco para as empresas está na forma silenciosa como o fenómeno se manifesta. Entre os principais sinais identificados estão a perda de iniciativa, a ausência emocional em reuniões e a chamada “hiper-conformidade”, quando o colaborador deixa de questionar ou propor soluções.

“Nestes casos não existe uma carta de demissão, não há manifestações de conflito. Há apenas um vazio silencioso que pode passar despercebido até ser tarde demais. O maior risco para as empresas é não reconhecerem estes sinais a tempo e confundirem ausência de conflito com estabilidade”, afirma Cristina Rosa, People Leader do Eurofirms Group Portugal.

De acordo com a análise, o impacto nas empresas é direto e mensurável, refletindo-se na diminuição do envolvimento dos colaboradores, no aumento do absentismo, na ocorrência de mais erros e no desgaste das equipas. Estes fatores contribuem para o aumento dos custos associados à rotatividade.

Em estruturas empresariais de maior dimensão, a complexidade organizacional e os modelos de trabalho híbrido podem dificultar a identificação destes casos e contribuir para que o problema se torne estrutural.

Segundo os dados citados pela Eurofirms, em Portugal apenas 19% dos trabalhadores estão envolvidos no seu trabalho e 47% reportam níveis elevados de stress no dia a dia, acima da média europeia e global. Na Europa, apenas 12% dos trabalhadores se consideram envolvidos, enquanto a média global se fixa nos 20%.

A empresa identifica ainda fatores culturais que podem contribuir para que este desgaste se desenvolva de forma progressiva e pouco visível em Portugal, como a dificuldade em contrariar hierarquias ou a valorização excessiva da resiliência.

O fenómeno manifesta-se também de forma distinta entre gerações. Segundo a Eurofirms, os profissionais mais jovens tendem a valorizar propósito, reconhecimento e feedback contínuo, enquanto os mais experientes privilegiam estabilidade e continuidade no desempenho das suas funções. Na empresa, cerca de 45% das pessoas têm entre 21 e 30 anos.

Para a multinacional de gestão de talento, este contexto exige uma abordagem mais consciente à gestão de pessoas. Reconhecer que diferentes perfis e gerações respondem a estímulos distintos é apontado como essencial para promover o envolvimento e prevenir situações de rutura.

A Eurofirms contrapõe o quiet cracking ao conceito de quiet thriving. Enquanto o primeiro corresponde a um afastamento progressivo da organização, o segundo traduz uma relação consistente com o trabalho, marcada por motivação, energia e ligação à empresa.

De acordo com a análise, a diferença entre estes dois estados está na qualidade da relação entre a pessoa e a organização. Essa ligação permite antecipar sinais de desgaste, reforçar o envolvimento e garantir equipas mais estáveis e produtivas a longo prazo.

“Apesar dos sinais de desgaste, este é um fenómeno que pode ser prevenido. Quando existe escuta ativa, proximidade na liderança e um ambiente onde as pessoas se sentem reconhecidas, é possível criar equipas mais envolvidas e resilientes. O desafio das organizações passa por perceber o que não está a ser dito e agir antes que o afastamento se torne definitivo”, destaca Cristina Rosa.

 

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