A Europa pode reduzir a distância face à China na adoção de veículos elétricos antes de 2030 e diminuir de forma significativa o uso de petróleo nos transportes, segundo uma nova análise da T&E (Transport & Environment).
O estudo indica que, em 2020, a União Europeia (UE) e a China estavam ao mesmo nível na quota de vendas de veículos elétricos, mas que o enfraquecimento das normas europeias de CO2 para automóveis após 2022 permitiu à China ganhar vantagem.
De acordo com o relatório State of European Transport, essa diferença foi encurtada com metas mais exigentes introduzidas em 2025, deixando a Europa a apenas três anos de distância.
A T&E sublinha ainda que sete em cada 10 veículos elétricos vendidos na Europa são produzidos no próprio continente, defendendo que uma transição mais rápida poderá contribuir para a continuidade da indústria automóvel europeia.
O relatório é divulgado num contexto de nova pressão sobre os preços da energia. Segundo a organização, preços do petróleo acima dos 100 dólares por barril provocaram aumentos para os condutores europeus. Neste enquadramento, a T&E considera que, com as políticas adequadas, a Europa poderá recuperar posição numa das principais tecnologias limpas do século XXI e reduzir rapidamente a dependência de petróleo importado.
A análise indica também que os oito milhões de carros elétricos em circulação na Europa evitaram o consumo de cerca de 46 milhões de barris de petróleo em 2025.
O documento assinala ainda a aceleração da China nas tecnologias limpas e na eletrificação. Segundo a T&E, empresas chinesas produzem 60% dos carros elétricos vendidos a nível mundial, enquanto a capacidade de produção de baterias na China é 20 vezes superior à da Europa.
Ainda assim, a organização refere que a indústria europeia de baterias está em transformação, com empresas europeias e chinesas a juntarem-se às sul-coreanas já presentes no mercado para reforçar a produção na UE. Para a T&E, políticas e financiamento adequados poderão desbloquear o potencial europeu neste setor.
Para William Todts, da T&E, o relatório deixa “uma mensagem clara”. Na sua leitura, o Pacto Ecológico Europeu é “um roteiro para a economia cleantech do futuro” e também uma base para reforçar a segurança europeia através da redução da dependência das importações de petróleo.
O responsável acrescenta, no entanto, que este enquadramento “está a ser atacado pelos fabricantes automóveis europeus, que estão mais preocupados com lucros de curto prazo do que com segurança e sustentabilidade de longo prazo”, defendendo que a UE não deve ceder à pressão para enfraquecer mais a regulação.

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