O projeto europeu BioSupPack demonstrou que resíduos da indústria cervejeira podem ser convertidos em bioplásticos de elevado desempenho para embalagens sustentáveis.
De acordo com a comunicação, ao longo de cinco anos, o consórcio desenvolveu e validou materiais e processos de produção baseados em polihidroxialcanoatos, nomeadamente PHA e PHB, como alternativa aos plásticos de origem fóssil.
Financiado pela Circular Bio-based Europe Joint Undertaking, no âmbito do programa Horizonte 2020 da União Europeia (UE), com 7,6 milhões de euros, o projeto reuniu 18 organizações da cadeia de valor dos bioplásticos à base de PHA e PHB. A coordenação esteve a cargo da AIMPLAS, centro tecnológico dos plásticos sediado em Valência, Espanha.
Segundo Rosa González Leyba, da AIMPLAS e coordenadora do projeto, “O BioSupPack demonstrou que podemos criar uma verdadeira economia circular ao transformar resíduos de cervejaria em materiais de embalagem de valor acrescentado e ao reciclar os resíduos de embalagens através de tecnologias inovadoras, como a reciclagem enzimática”.
A responsável acrescenta que o consórcio conseguiu escalar processos inovadores de biorrefinaria e desenvolver materiais de base biológica para embalagens rígidas, tanto alimentares como não alimentares, obtendo protótipos “muito próximos das soluções atualmente disponíveis no mercado”.
Entre os principais resultados, o projeto desenvolveu um bioprocesso escalável para converter resíduos de grãos de cervejaria em PHB de elevada pureza, através de pré-tratamento por plasma e fermentação microbiana.
De acordo com a informação divulgada, esta solução atingiu o nível de maturidade tecnológica TRL 6, demonstrando viabilidade em ambientes industrialmente relevantes.
O consórcio desenvolveu também revestimentos plastisol à base de PHA, 99% biobaseados e totalmente biodegradáveis, aplicáveis em cartão como alternativa a revestimentos em polietileno e em têxteis como substituto do PVC. Esta inovação, protegida por patente da Centexbel, atingiu igualmente o nível TRL 6 e está preparada para licenciamento a fabricantes de revestimentos.
No domínio das embalagens compostáveis, o projeto criou soluções fibrosas com propriedades de barreira comparáveis às dos plásticos de origem fóssil. As aplicações referidas incluem copos e tabuleiros para gelados. Esta inovação atingiu o nível TRL 7.
Foram ainda desenvolvidas formulações à base de PHB para embalagens rígidas, incluindo garrafas e expositores para retalho. Segundo a informação disponibilizada, estes materiais são produzidos a partir de fluxos residuais renováveis, são totalmente biodegradáveis, recicláveis mecânica e enzimaticamente e foram formulados para melhorar a processabilidade por extrusão-sopro e moldação por injeção. Esta solução atingiu o nível TRL 7, com produção à escala industrial.
No quadro das aplicações desenvolvidas, a ILAB obteve garrafas para molhos e produtos de cuidados pessoais, enquanto a AIMPLAS desenvolveu e produziu um expositor para garrafas de cerveja destinado ao setor do retalho.
O projeto inclui também um protótipo de triagem, desenvolvido pela IRIS, para recuperação destes novos fluxos de resíduos de embalagem, com vista ao seu posterior encaminhamento para reciclagem enzimática. Segundo o consórcio, esta via revelou-se eficaz como solução de fim de vida para estes materiais, devido ao desenvolvimento de novas enzimas seletivas.

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