Os veículos eletrificados continuam a apresentar a maior competitividade económica nas frotas empresariais, representando 81% dos perfis mais favoráveis em termos de custo total de utilização (TCO), segundo o Estudo Mobilidade 2026 da Ayvens.
A análise confirma uma tendência estrutural de eletrificação, com os veículos 100% elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV) a manterem-se como a opção mais competitiva pelo quarto ano consecutivo. No segmento de passageiros, esta predominância é ainda mais acentuada, com 91% dos perfis de menor custo associados a motorizações eletrificadas.
Considerando uma quilometragem anual de referência de 30 mil quilómetros, os veículos 100% elétricos destacam-se como a solução mais competitiva em todos os segmentos analisados, com uma poupança média de 19% face às restantes motorizações, acima dos 16% registados em 2025.
Mesmo em cenários dependentes exclusivamente da rede pública de carregamento, os veículos elétricos mantêm vantagem, embora com menor expressão, passando de 76% para 62% dos perfis mais competitivos. Nestes casos, a gasolina ganha relevância nos segmentos de entrada, mais sensíveis ao custo energético.
O estudo evidencia ainda o impacto das condições fiscais e dos modelos de utilização. Em cenários de uso misto, com dedução parcial do IVA, as motorizações eletrificadas continuam a liderar, representando 73% dos perfis mais competitivos.
Segundo António Oliveira Martins, diretor-geral da Ayvens Portugal, “os resultados do estudo confirmam que, atualmente, a eletrificação das frotas empresariais é mais do que uma tendência e constitui uma realidade consolidada em termos de competitividade”, acrescentando que a adoção dependerá da capacidade da infraestrutura acompanhar o crescimento da mobilidade elétrica.
A nível europeu, os veículos elétricos registaram um crescimento de cerca de 30% em 2025, atingindo 17,4% de quota de mercado, ultrapassando o diesel, que caiu para 8,9%. Em Portugal, os BEV representam 23,2% do mercado, com um crescimento de 17%.
Apesar desta evolução, o estudo identifica constrangimentos ao ritmo de adoção, nomeadamente a limitação da rede pública de carregamento. Em Portugal, existem cerca de 24 veículos por carregador, o dobro da média europeia, o que evidencia um desfasamento entre o crescimento da frota elétrica e a expansão da infraestrutura.
A oferta de veículos eletrificados continua a aumentar, representando cerca de 40% do mercado de passageiros, enquanto o diesel perdeu expressão, representando atualmente 18% da oferta. A eletrificação é mais expressiva nos segmentos de maior dimensão, onde atinge cerca de 84%.
O estudo conclui que, apesar da competitividade económica consolidada das motorizações eletrificadas, o desenvolvimento da infraestrutura de carregamento será determinante para sustentar a transição energética no setor da mobilidade empresarial.

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